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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"The Bolsonaros", a série, e COP-26 farão país corar de vergonha outra vez

Bolsonaro: para estrangeiros, fartura de enredos esdrúxulos que, infelizmente, não são ficção - Ueslei Marcelino/Reuters
Bolsonaro: para estrangeiros, fartura de enredos esdrúxulos que, infelizmente, não são ficção Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

13/10/2021 12h04

Bolsonaro e seus filhos serão os protagonistas da série que a BBC Two está produzindo em parceria com a PBS americana com o sugestivo título "The Bolsonaros", não despropositadamente evocativo das máfias italianas. A série, de três capítulos, deve estrear em março de 2022 na Europa e nos Estados Unidos.

A France 5, canal de televisão pública da França, também tem percorrido o país em entrevistas com personagens ligados ao presidente. O objetivo é estrear em maio do ano que vem um documentário de 70 minutos que terá como foco o governo do exótico mandatário brasileiro.

Por terem a realidade como matéria-prima, não se espera que nenhum dos filmes, quando concluídos, venham a engrandecer a imagem do ex-capitão e nem a do Brasil — nunca tão malvisto pelo mundo.

A pesquisa Anholt-Ipsos Nation Brands, divulgada pela BBC News Brasil em julho, mostrou que a "marca Brasil" entrou em queda livre desde o início do governo Bolsonaro.

Segundo os responsáveis pelo levantamento — que ouviu 20 mil pessoas de diversas nacionalidades e pretende representar a opinião de 70% da população mundial— a ruína reputacional do país, no período, foi a mais significativa já registrada, e é resultado, sobretudo, da forma como o governo Bolsonaro gerenciou a pandemia e a política ambiental na Amazônia.

Certamente não contribuirá para reverter essa imagem a ida do ex-capitão à 26ª Conferência sobre Mudanças Climáticas, marcada para começar no próximo dia 31, em Glasgow.

Como ocorreu na sua participação na última Assembleia Geral da ONU, quando declarou que o Brasil é um "oásis para investidores" e desfiou dados falaciosos sobre a preservação da Amazônia, Bolsonaro, em seu habitual registro de Napoleão de hospício, dirá que poucos países se comprometeram com metas tão ambiciosas no combate ao desmatamento e na compensação de emissões de carbono. E, como de hábito, nenhuma liderança internacional relevante o levará a sério.

Mais uma vez, o reflexo imediato da performance presidencial será o aumento da fuga do capital estrangeiro e a depreciação, no exterior, de produtos brasileiros — tirando, é claro, matéria-prima para a produção de histórias sobre um governo que, lamentavelmente, não pertence ao universo da ficção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL