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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ataque a Michelle e "noivinha do Aristides": esquerdominions mostram dentes

Michelle Bolsonaro, ao lado de Jair Bolsonaro: zombaria e chacota depois do "glória a Deus" - Carolina Antunes/PR
Michelle Bolsonaro, ao lado de Jair Bolsonaro: zombaria e chacota depois do "glória a Deus" Imagem: Carolina Antunes/PR
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

07/12/2021 11h39

Os bolsominions fizeram escola.

Em três anos de governo Jair Bolsonaro, os apoiadores do presidente conhecidos pelo gosto por golpes abaixo da cintura usaram as redes sociais para metralhar desafetos com mentiras, calúnias e insinuações que, na escala da degradação, começam no mau gosto e terminam no francamente nauseante, quando não no crime tipificado.

A intensa atividade da tropa —especializada na fabricação de notícias inexistentes, vídeos manipulados e falsas acusações— deixou feridos pelo caminho, difamou mortos e vivos e produziu um know-how que agora parte da esquerda emula.

Recentemente, apoiadores do ex-presidente Lula, incluindo políticos com mandato, ajudaram a disseminar na internet uma sucessão de mentiras em estado bruto com a finalidade de atacar bolsonaristas.

A coluna Painel de hoje, da Folha, lembrou três dessas falácias: a hipótese de que a facada sofrida por Bolsonaro na campanha de 2018 foi forjada; a versão de que o guru bolsonarista Olavo de Carvalho teria deixado o Brasil em um avião da Força Aérea Brasileira; e a igualmente falsa história de que o presidente teria sido chamado de "noivinha do Aristides" — alusão de caráter homofóbico a um hipotético professor de artes marciais que o ex-capitão teria tido no passado.

Deputados do PT como Bohn Gass, Paulo Pimenta, Rogério Correia e Maria do Rosário foram alguns dos que usaram suas redes sociais para divulgar um filme que trata da tese terraplanista de que a facada foi um golpe de Bolsonaro para ganhar as eleições.

A mentira sobre Olavo de Carvalho (que não deixou o Brasil num avião da FAB, mas de carro) também ganhou tração nas redes graças à ajuda de parlamentares petistas, da mesma forma que a história da noivinha do Aristides — esta aparentemente surgida a partir do tuíte de um certo "FelipeDOPT" que poucos se preocuparam em checar antes de republicar, incluindo políticos e jornalistas.

A fake news sobre Bolsonaro correu a internet acompanhada de imagens, igualmente falsas, do seu suposto professor de judô. O expediente de espalhar fotos forjadas para fortalecer rumores contra adversários, como lembrou o filósofo Pablo Ortellado, foi muito utilizada quando do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco.

Por fim, houve o episódio Michelle Bolsonaro.

A primeira-dama foi filmada na semana passada dando "glória a Deus" e dizendo palavras incompreensíveis enquanto comemorava a nomeação do pastor presbiteriano André Mendonça para o STF.

Hoje frequentadora de uma igreja batista, Michelle já foi seguidora da denominação pentecostal. Essa vertente do cristianismo evangélico crê na ideia de que o Espírito Santo pode se manifestar em fieis que, em dado momento, passam a falar em "línguas desconhecidas".

Teria sido o caso de Michelle que, por causa do vídeo, foi alvo de chacota e zombaria na internet — algo que dificilmente ocorreria se ela fosse adepta da umbanda, cujos rituais, aliás, preveem a incorporação de entidades por médiuns.

A esquerda, ou ao menos parte dela, acostumou-se a acreditar que o "discurso de ódio" é exclusividade do campo oposto, nunca dela própria.

Habituou-se também a disputar campeonatos de superioridade moral e a se auto-atribuir o troféu de primeiro lugar.

A campanha eleitoral de 2022 será uma oportunidade para essa parte da esquerda mostrar que não comprou seu lugar no pódium —e que é incorreta a hipótese de que, no campo da falsidade, ela empata fácil com um bolsominion.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL