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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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"Dia D" de Doria está perto: PSDB fixa em 6% seu marco mínimo em pesquisas 

O ex-governador João Doria: próximas pesquisas definirão sua sorte - ISAAC FONTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
O ex-governador João Doria: próximas pesquisas definirão sua sorte Imagem: ISAAC FONTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

02/05/2022 11h39

João Doria está gastando suas últimas fichas.

Na semana passada, Adolfo Viana, líder do PSDB na Câmara dos Deputados, esteve com o ex-governador de São Paulo para lhe dizer, com todas as letras, que a maior parte da bancada da sigla não apoiava a sua pré-candidatura à Presidência da República.

Em resposta, Doria fez dois pedidos a Viana: que organizasse um jantar com os deputados da bancada (o encontro foi marcado para esta terça-feira, em Brasília) e que esperasse o "efeito" das primeiras propagandas na TV sobre o seu nome.

As inserções nacionais do PSDB no horário gratuito da televisão e do rádio começaram no último dia 26, tendo Doria como estrela principal.

O partido chegou a oferecer ao ex-governador Eduardo Leite oito das 28 inserções na TV a que a legenda tem direito. O gaúcho, porém, abriu mão da oferta dizendo que "a prioridade do partido deve ser a de dar todo o espaço para Doria". Dessa forma, Leite, assim como outras lideranças do PDSB, lavaram as mãos: consideram ter feito a sua parte pela candidatura do paulista.

Segundo uma dessas lideranças, Doria "teve e está tendo o seu espaço de candidato. Apareceu nos intervalos dos jogos de futebol e das novelas. Se não crescer consideravelmente nas próximas pesquisas, será porque tem mesmo um problema estrutural".

Por "crescimento considerável" nas pesquisas, caciques tucanos entendem uma subida de no mínimo de quatro pontos. Nesse caso, Doria teria de sair dos atuais 2% para 6% de intenção de votos — superando a margem de erro dos institutos, de até 3 pontos percentuais.

Um salto como esse seria a derradeira chance de o ex-governador ampliar o estreito apoio que sua candidatura tem hoje no partido — representada, na bancada da Câmara, por exemplo, por não mais que meia dúzia do total de 22 parlamentares.

Se, no entanto, as próximas pesquisas de intenção de voto previstas para saírem até o próximo dia 11 (Datafolha e Genial Quaest) mostrarem o ex-governador congelado no mesmo patamar, o plano da cúpula tucana é de assumir o apoio ao nome de Simone Tebet (MDB) como cabeça de chapa da ainda chamada terceira via e oferecer ao ex-governador "um lugar de honra" como, por exemplo, o de coordenador da campanha.

Embora Doria tenha dito, em entrevista dada ao UOL na semana passada, que aceitaria ser vice de Tebet, a cúpula do PSDB considera que ele não tem perfil para o posto e poderia "contaminar" a chapa com a sua alta taxa de rejeição —hoje de 30%, segundo o último Datafolha, menor apenas que a de Jair Bolsonaro e Lula.

Para a vaga de vice, lideranças do PSDB — e também do MDB, de Baleia Rossi— sonham com o nome do senador tucano Tasso Jereissati.