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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Doria recusa "corredor polonês", mas tem poucas opções: sair ou ser "saído"

O pré-candidato do PSDB à Presidência João Doria: dançando sozinho - Reprodução/Twitter/jdoriajr
O pré-candidato do PSDB à Presidência João Doria: dançando sozinho Imagem: Reprodução/Twitter/jdoriajr
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

19/05/2022 11h32

Ao final da reunião de ontem da Executiva Nacional do PSDB, em que João Doria foi massacrado a cada vez que um dos presentes pediu a palavra, definiu-se que o colegiado se reuniria novamente no dia seguinte — desta vez, na presença do ex-governador de São Paulo.

O objetivo da nova reunião seria relatar a Doria, "olho no olho", os problemas que a alta rejeição ao seu nome estavam causando a candidatos tucanos nestas eleições, experiência eloquentemente descrita no encontro por pré-candidatos ao governo como Raquel Lyra (Pernambuco), Cássio Cunha Lima (Paraíba) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul).

Encarregado de fazer o convite da nova reunião a Doria, o ex-ministro Antônio Imbassahy anunciou aos presentes a resposta do ex-governador, transmitida a ele por celular: não, obrigado.

Doria negou-se a encontrar os membros da Executiva porque, como disse um dos integrantes da reunião, sabia que à sua espera encontraria um "corredor polonês" — dos 32 membros do colegiado máximo tucano, apenas um, César Gontijo, defendeu com veemência a manutenção da pré-candidatura de Doria à Presidência sagrada nas prévias do ano passado.

Com sua recusa em ir com as próprias pernas para a própria degola, o ex-governador de São Paulo ganhou tempo para pensar em como sair da situação.

Doria pode ir para o litígio contra a sua sigla, exigindo na Justiça o respeito ao resultado das prévias. A iniciativa, porém, terá como efeito imediato a ampliação do seu isolamento — ele será visto como alguém disposto a implodir não apenas o seu partido como também a aliança selada pelo PSDB com o MDB e o Cidadania.

O ex-governador pode também decidir por uma solução política. Na reunião de ontem, o senador Tasso Jereissati defendeu que não se pode jogar ao mar um ex-prefeito e ex-governador de São Paulo sem oferecer a ele uma "saída honrosa". Embora os presentes tenham concordado, até o fim do encontro a ninguém tinha ocorrido que saída honrosa seria essa.

Em suma, as alternativas do ex-governador são, para ele, poucas e ruins.

Já da parte da Executiva do PSDB, parece não restar dúvida. O discurso dos seus integrantes pode variar no grau de delicadeza, mas já está construído e é essencialmente o mesmo: João Doria venceu as prévias do PSDB e era o nome do partido para concorrer à Presidência da República. O PSDB, porém, selou com outras siglas uma aliança que teve a anuência de Doria, e, nessa aliança, o ex-governador, infelizmente, não conseguiu se viabilizar.

Na terça-feira que vem, o colegiado tucano deve se reunir novamente, e desta vez, a intenção dos caciques é levar à votação o assunto Doria — para quem, a esta altura, sair ou ser saído parece ser a questão.