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Acuado, Trump vai ao ataque contra Biden no primeiro debate dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu adversário na corrida de 2020 pela Casa Branca, Joe Biden - Saul Loeb e Ronda Churchill/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu adversário na corrida de 2020 pela Casa Branca, Joe Biden Imagem: Saul Loeb e Ronda Churchill/AFP
Vicente Toledo

O jornalista Vicente Toledo começou sua carreira em 2000 no UOL, onde foi redator, repórter, vídeo reporter, apresentador e editor assistente. Participou das coberturas especiais da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, das Eleições Presidenciais, em 2006, e dos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo, e 2007, no Rio de Janeiro, dentre outros grandes eventos. Apresentou programas da TV UOL como a "Tabelinha", com Juca Kfouri, e o "Pit Stop", com Fábio Seixas. Após 12 anos como editor na Microsoft, incluindo passagens por Canadá e Estados Unidos, retorna ao UOL para contribuir com a cobertura das eleições presidenciais norte-americanas.

Colunista do UOL

29/09/2020 11h45

O presidente Donald Trump e o desafiante democrata Joe Biden ficarão frente a frente pela primeira vez na disputa pela presidência dos Estados Unidos, nesta terça-feira, em Cleveland. Faltando 35 dias para as eleições, o primeiro debate da campanha promete ser quente e terá transmissão pelo UOL, em parceria com a CNN Brasil.

Em desvantagem nas pesquisas e em meio a uma avalanche de crises e escândalos, Trump deverá partir para o ataque, centrando fogo na capacidade mental de Biden e nas acusações de corrupção contra seu filho Hunter.

Investigação do Senado, comandada pelo próprio Partido Republicano, não encontrou provas contra o filho de Biden, acusado por Trump de corrupção por ter aceitado um alto cargo em uma companhia de gás na Ucrânia durante o governo Obama, usando a influência do pai, então vice-presidente, para se beneficiar financeiramente.

Donald Trump, por sua vez, sofreu impeachment justamente por pressionar o presidente da Ucrânia a investigar o filho de Biden. Só não caiu porque foi absolvido por seus colegas de partido no Senado.

Já o candidato democrata deve focar seus ataques na desastrosa resposta do governo Trump à pandemia do coronavírus, que já matou mais de 205 mil pessoas no país, e no seu impacto sobre a economia.

Também devem ser tema de discussão acalorada a nomeação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, na vaga deixada pela ministra Ruth Bader Ginsbug, e a recente reportagem do jornal "The New York Times", que revelou que Trump pagou US$ 750 de imposto de renda em 2016 e 2017, e nada em muitos dos últimos 20 anos.

Sem aperto de mãos

O debate também teve que se adaptar aos novos tempos. Trump e Biden não usarão máscaras, nem o mediador Chris Wallace, jornalista da FOX News. Mas os dois candidatos ficarão afastados no palco, e o tradicional aperto de mãos não deve acontecer. Não haverá plateia como em eleições passadas. E somente um pequeno número de convidados estará fisicamente no debate.

Em uma campanha drasticamente alterada pela pandemia, com raras oportunidades de observar os dois candidatos em interações ao vivo, os debates ganham importância. Mas com a polarização extrema do eleitorado, o número de indecisos ou dispostos a mudar a essa altura da campanha pode não alterar o resultado das urnas. Além disso, milhões de eleitores devem votar mais cedo ou pelo correio, temendo risco de contaminação pelo coronavírus. Em vários estados, a votação já começou.

Nada disso favorece o atual presidente, que precisa de um bom desempenho no debate para tentar mudar o rumo da eleição (Biden tem uma média de 7 pontos de frente nas mais recentes pesquisas nacionais). E apesar de ter feito sucesso na televisão, Trump não é um bom debatedor.

Donald Trump e Hillary Clinton em debate da última campanha presidencial nos EUA - Reuters - Reuters
Donald Trump e Hillary Clinton em debate da última campanha presidencial nos EUA
Imagem: Reuters

Em 2016, Trump venceu minando a credibilidade de Hillary

Em 2016, ele saiu derrotado dos três debates contra a democrata Hillary Clinton, mas ainda assim ganhou a presidência. Principalmente porque conseguiu minar a credibilidade da adversária com acusações que nunca conseguiu comprovar, mas que foram amplificadas como fatos por setores da mídia e redes sociais.

A estratégia não será diferente contra Biden. Nas últimas semanas, o presidente e seus aliados vêm afinando o discurso que deverá ser a base dos ataques ao rival no debate. Dizem que o democrata está tomando drogas para esconder um suposto declínio cognitivo por sua idade avançada (Biden tem 77 anos, três a mais que Trump).

"Este cara não tem nem ideia. Ele não sabe nem onde está", disse o presidente recentemente, sem oferecer nenhuma evidência. Só no mês de setembro, Trump usou o apelido "Sleepy Joe" (Joe Dorminhoco) ao menos 72 vezes em seus discursos, segundo levantamento do jornal USA Today.

O desafio de Joe Biden é confrontar Donald Trump sem perder a compostura, mostrando empatia e oferecendo uma alternativa calma ao caos do atual presidente. O democrata tem evitado aparições públicas, causando certa ansiedade entre democratas.

Biden não foi muito bem nos debates das primárias e cometeu algumas gafes, como parar de falar antes do tempo acabar, ou se atrapalhar com o número de telefone da campanha. Por isso, seu desempenho nesta terça-feira é bastante aguardado.

Mas a pressão está toda sobre Donald Trump. O presidente está acuado, a eleição se aproximando. E sua escalada de ataques a Biden pode ter efeito contrário: reduzir a expectativa dos eleitores em relação ao democrata, preparando o terreno para ele sair do debate mais forte do que entrou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.