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Greenwald nega ter produzido filme pornô: "Fui advogado e sócio de empresa"

Arte UOL sobre foto de Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Arte UOL sobre foto de Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Anita Grando Martins

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

28/08/2019 04h01

Circula nas redes sociais um artigo afirmando que o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site de notícias The Intercept Brasil, "produziu filmes pornográficos para gays nos Estados Unidos". Originalmente publicada como reportagem, o texto chama o público para descobrir "o segredo de Greenwald".

Nos compartilhamentos, os usuários criticam e chegam a fazer discurso de ódio contra o jornalista estrangeiro. Greenwald vem sendo alvo de ataques de apoiadores da Lava Jato, especialmente desde que o The Intercept iniciou a série de reportagens sobre mensagens trocadas entre a força-tarefa.

Versões similares da notícia fabricada circularam em inglês quando Greenwald estava fazendo a cobertura do caso Snowden, que revelou que o governo dos Estados Unidos monitorava comunicações de seus cidadãos e de chefes de Estado.

Greenwald afirma ter sido sócio de distribuidora

Não existem registros de que Greenwald tenha participado diretamente da produção de filmes pornográficos. É fato, no entanto, que foi sócio, entre 2002 e 2004, da empresa Master Notions LLC, que "produzia e distribuía muitos produtos de entretenimento, incluindo filmes de sexo leve", como descreve o jornalista ao UOL. Uma das plataformas de distribuição chamava-se StudMall e era voltada ao público gay.

Advogado na época, Greenwald conta que cuidava majoritariamente de assuntos jurídicos da Master Notions. "O artigo sobre meu envolvimento na pornografia é uma completa mentira e invenção. Eu nunca tive qualquer envolvimento na produção de filmes pornográficos. Ficaria feliz em admitir se tivesse feito porque não vejo nada de errado com isso", disse à reportagem por email.

Além das produções próprias, em um determinado momento, a Master Notions fez uma parceria com uma produtora e distribuidora de filmes pornográficos que passava por dificuldades financeiras, em troca de receber parte do lucro gerado. O dono recusou-se a pagar o que devia e as duas empresas entraram em uma disputa judicial. A Master Notions ganhou, recebendo um pedaço da dívida em dinheiro e o direito de usar comercialmente o que havia sido produzido durante a parceria.

Pouco tempo depois, Greenwald vendeu sua porcentagem na Master Notions para o sócio, Jason Buchtel. "Então essa foi a grande descoberta: um ganho corporativo com filmes adultos", escreveu o jornalista em um artigo para o jornal The Guardian, quando o assunto veio à tona pela primeira vez, em 2013, durante as denúncias do caso Snowden.

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