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Sobe para 15 o número de cidades atingidas por onda de violência em Santa Catarina

Renan Antunes de Oliveira*

Do UOL, em Florianópolis

17/11/2012 11h22Atualizada em 17/11/2012 13h01

Balanço divulgado pela PM (Polícia Militar) de Santa Catarina na manhã deste sábado (17) aponta que a onda de violência que atinge o Estado chegou a mais duas cidades, elevando para 15 a lista de municípios atingidos pelos ataques, que começaram na segunda-feira (12). Nas últimas 13 horas foram quatro incidentes.

As cidades de Canelinhas e São Francisco do Sul se somam a Florianópolis, Blumenau, Itajaí, Navegantes, Gaspar, Balneário Camboriú, Itapema, Palhoça, São José, São Pedro de Alcântara, Criciúma, Tubarão e Tijucas.

Nas últimas 12 horas foram quatro incidentes. O número de casos, no entanto, é um dos menores desde o começo da onda de atentados, que já atingiu o pico de 16 em um único dia. Desde o começo da semana, foram ao menos 63 ataques (sendo 27 ônibus incendiados), três suspeitos mortos pela polícia e 47 presos. Outras 64 pessoas, foragidas e não identificadas, podem ter tido participação nos crimes, segundo testemunhas.

O primeiro ataque ocorreu em Florianópolis, às 23h de sexta-feira (16), quando uma base da PM foi atacada na praia do Campeche, no sul da ilha. Dois motoqueiros dispararam tiros contra a fachada do prédio e fugiram sem ser identificados. Ninguém se feriu.

Em São Francisco do Sul (195 km ao norte de Florianópolis), cinco homens armados incendiaram um ônibus por volta das 2h. Eles pararam o coletivo no ponto, renderam o cobrador e o motorista, mandaram os passageiros descer e atearam fogo no veículo. Um suspeito foi pego com pedras de crack, segundo a polícia, mas os demais fugiram. Não há registro de feridos.

Em São José (Grande Florianópolis), dois motoqueiros atiraram na base da Guarda Municipal por volta das 3h30, atingindo dois carros estacionados. Não houve feridos, e os atiradores fugiram.

Em Canelinhas (70 km de Florianópolis), no vale do rio Tijucas, um carro roubado foi incendiado por volta de 5h40 dentro do pátio da delegacia --as chamas  acabaram se espalhando e danificaram a placa da delegacia e um aparelho de ar-condicionado. Ninguém ficou ferido, e os criminosos fugiram.

Presídios

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os ataques a ônibus e postos policiais são coordenados pela facção criminosa PGC (Primeiro Grupo Catarinense), em represália às más condições dos presídios e supostas torturas de presos.

A polícia suspeita que os mandantes dos crimes estejam nos presídios de segurança máxima de São Pedro de Alcântara (Grande Florianópolis), de Itajaí (100 km ao norte) e Criciúma (220 km ao sul da capital).

Na quarta-feira (14), no momento mais grave da onda de atentados, o governo do Estado afastou do cargo o diretor do presídio de São Pedro, Carlos Alves, considerado linha dura pelos presos. O assassinato da mulher dele, no dia 26 de outubro, é apontado como o primeiro sinal da crise.

Líderes do narcotráfico, sequestradores e assaltantes de bancos presos relatam torturas e maus tratos. Além disso, agentes da Pastoral Carcerária e da Associação Catarinense de Advogados Criminalistas confirmaram que, durante as visitas, as famílias são humilhadas por carcereiros, que fazem os parentes esperar mais de quatro horas para entrar nas instituições.

Desde o início da onda de violência, a corregedoria do Tribunal de Justiça fez duas inspeções surpresa na penitenciária de São Pedro para investigar as denúncias dos presos, sem apresentar resultados conclusivos.

Ontem (16), a secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, disse em Brasília que "maus tratos e violências dentro das cadeias acabam repercutindo também em violência do lado de fora, para a população".

Ela anunciou que a força-tarefa recém-criada pelo governo federal para avaliar a situação dos presídios do país vai começar nesta segunda-feira (19) por São Pedro de Alcântara, considerado pela polícia catarinense o epicentro da violência. O grupo quer ouvir os 69 presos que no início do mês denunciaram torturas.

Outra força-tarefa, criada pelo governo do Estado já durante a crise para prevenir novos ataques, está interrogando esse grupo de presos para apurar quem são os líderes do PGC.

(Com Estadão Conteúdo)