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Após paulistas, cariocas e brasilienses marcam "rolezinho" em shoppings

Bruno Poletti/Folhapress
PM usa cassetete para intimidar jovem durante "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de São Paulo Imagem: Bruno Poletti/Folhapress

Hanrrikson de Andrade e Bruna Borges

Do UOL, no Rio e em Brasília

2014-01-13T11:31:27

2014-01-13T14:01:12

13/01/2014 11h31Atualizada em 13/01/2014 14h01

O primeiro "rolezinho" --encontro de jovens em shopping centers-- fora de São Paulo foi marcado para o próximo domingo (19), no Shopping Leblon, no Leblon, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. O evento convocado via Facebook possuía mais de 4.000 confirmações até 15h30 desta segunda-feira (13). Em Brasília, um evento similar está marcado para o próximo dia 25 de janeiro.

Segundo organizadores, a versão carioca do rolezinho tem o objetivo de manifestar apoio aos jovens paulistanos, que foram reprimidos pela Polícia Militar em frente ao shopping Metrô Itaquera, no sábado (11), na zona leste de São Paulo. Na ocasião, a PM utilizou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de balas de borracha, para dispersar os adolescentes.

Vídeo mostra PM agredindo jovens em shopping durante "rolezinho"

"Em apoio à galera de São Paulo, contra toda forma de opressão e discriminação aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias", diz a página.

Brasília

O rolezinho marcado para acontecer em Brasília deve ocorrer no Shopping Iguatemi, no bairro nobre do Lago Norte, no próximo dia 25. O evento, também publicado no Facebook, tinha 457 confirmações até às 11h40 desta segunda (13).           

Os organizadores afirmam, na página do evento, que marcaram o rolezinho porque há “privatização dos espaços públicos, subfinanciamento governamental à cultura, esporte e lazer e a criminalização da pobreza”.

Segundo eles, o shopping escolhido para ocorrer o evento é um “monumento à segregação social no Distrito Federal”.

Confronto com a PM

Na semana passada, a Justiça deferiu uma liminar --decisão judicial provisória-- que proíbe a prática do rolezinho em pelo menos seis shopping centers de São Paulo, onde a onda de eventos do tipo começou.

Na capital, os shoppings JK Iguatemi, Itaquera e Campo Limpo foram beneficiados pela decisão temporária. Em Campinas (a 93 km da capital), também se beneficiaram da decisão os shoppings Iguatemi e Parque Dom Pedro, e em São José dos Campos (93 km de SP), o Center Vale.

Mesmo com a proibição, cerca de mil pessoas, de acordo com a PM paulista, participaram do rolezinho que terminou em confronto no sábado. O shopping Metrô Itaquera, por sua vez, estimou que ao menos 3.000 pessoas estavam no encontro.

O QUE É?

O "rolezinho" é um termo que designa um encontro de jovens, a maioria moradores de periferias, que ocorre comumente em shopping centers. A atividade surgiu em São Paulo e foi, na maioria das vezes, marcada por meio do Facebook.

Os jovens identificados como participantes do rolezinho --segundo critérios da PM e do oficial de Justiça que estava no local-- foram abordados e revistados pela PM.

Segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", que acompanhou a abordagem, o oficial de Justiça anotava os dados pessoais (nome, RG e endereço) dos maiores de idade. Eles recebiam uma cópia da liminar concedida pela Justiça.

No interior do shopping, os jovens cantavam e andavam em grupos. PMs aplicaram golpes de cassetete em alguns deles e os retiraram do local. Na rampa que liga o centro de compras ao metrô, policiais usaram bombas e balas de borracha na tentativa de dispersar o grupo.

O shopping foi fechado e apenas a entrada de pessoas identificadas como não participantes do rolezinho foi permitida pela polícia. No terminal de ônibus que fica embaixo da rampa de acesso ao shopping, os policiais voltaram a usar balas de borracha e bombas contra os jovens.

Ao fim do confronto, a Polícia Militar informou que duas pessoas foram detidas e encaminhadas a uma delegacia da região. Na versão da PM, eles teriam participado de depredações a lojas do terminal de ônibus Itaquera. A assessoria de imprensa do centro comercial informou que não houve ocorrência de furtos ou roubos. (Com Folha de S.Paulo)

Histórico

Organizado pelo Facebook, o primeiro encontro de jovens ocorreu no dia 7 de dezembro do ano passado, no shopping Metrô Itaquera, na zona leste de São Paulo. Segundo o centro comercial, 6.000 jovens foram ao centro comercial. A Polícia Militar de São Paulo, baseada em informações de testemunhas, informou que algumas lojas haviam sido roubadas. Porém, a informação foi negada pelo shopping, que disse ter ocorrido apenas um "fato isolado".

No fim de semana seguinte, um grupo de jovens voltou a marcar um encontro no shopping Internacional de Guarulhos, na grande São Paulo. Dessa vez, após denúncias de lojistas, a Polícia Militar deslocou um grande efetivo para checar informações de que lojas estavam sendo roubadas --inicialmente, o rolezinho foi classificado e noticiado como arrastão.

No entanto, após a ação policial, verificou-se que nenhum furto ou roubo havia ocorrido dentro dos estabelecimentos. Pelo menos 23 pessoas foram detidas por policiais militares e encaminhadas à delegacia para averiguação. Segundo a Polícia Civil, nenhuma acusação formal foi feita contra os jovens.

O comportamento dos jovens, a maioria moradores da periferia paulistana, provocou pânico entre lojistas e frequentadores do shopping. "Tem de proibir esse tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este", afirmou ao jornal "Folha de S.Paulo" a empresária Helena de Assis Pregonezzi, 55, que disse ainda ter visto visto jovens com revólveres na praça de alimentação. Entre os detidos pela PM, no entanto, ninguém portava armas de fogo.

Com a repercussão do rolezinho em Guarulhos, os encontros de jovens se espalharam pelos shoppings da grande São Paulo. Em um deles, três dias antes do Natal, mais de dez mil pessoas participaram de um rolezinho no shopping Interlagos, na zona sul de São Paulo.

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