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"Minha loja virou uma grande lixeira", diz comerciante na zona oeste do Rio

Algumas equipes de garis voltaram a recolher lixo na região central do Rio, mas outras regiões da cidade continuam muito sujas - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Algumas equipes de garis voltaram a recolher lixo na região central do Rio, mas outras regiões da cidade continuam muito sujas Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Maria Luísa de Melo

Do UOL, no Rio

07/03/2014 13h02Atualizada em 07/03/2014 14h00

Empresários e funcionários de dois grandes pólos comerciais da zona oeste do Rio de Janeiro já estão sentindo os efeitos da falta de coleta de lixo e varredura nas ruas. A greve dos garis, iniciada no sábado (1°) já dura sete dias e não tem previsão para acabar. Com isso, as ruas de Bangu e Campo Grande estão tomadas pela sujeira. O efeito tem sido lojas mais vazias depois do feriadão de Carnaval.

Na rua Barcelos Domingos, em Campo Grande, uma montanha de lixo se formou em uma das poucas praças que existem na região. À frente da sujeira, a lojista Sirlei Zanetti de Lima, 51, diz que não adianta limpar a loja para tentar se livrar do cheiro insuportável que tomou conta da vizinhança.

“Esse cheiro de azedo no ar espanta qualquer freguesia. Não estamos aguentando mais isso. Minha loja virou uma grande lixeira, porque o lixo da rua está vindo parar aqui dentro”, reclama a empresária que atua no ramo de bolsas e acessórios no calçadão de Campo Grande. “Além disso, os clientes não suportam esse futum, eu estou tendo prejuízos. O pior é que, ao contrário dos clientes, eu não tenho como me esquivar de ficar perto dessa nojeira. Eu trabalho aqui, não tenho como fugir.”

Mais adiante, já na rua que leva o mesmo nome do bairro, uma outra montanha de lixo dificulta a passagem de pedestres pela calçada. De um lado do lixo acumulado, o sorveteiro Sérgio Murilo diz que também está vendendo pouco.

Do outro lado, funcionários de uma rede de lanchonetes dizem que os clientes atribuem à loja a responsabilidade pelo lixo despejado nas proximidades.

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“Eu sou sorveteiro nesta região há sete anos. Nunca vi uma situação dessas. As moscas e as baratas estão por toda a parte, e não há o que fazer”, afirmou Murilo. “Os garis estão lutando por uma causa justa, eles tem direito. Mas algo tem que ser feito logo. Se a sujeira continuar do jeito que está, logo logo teremos um surto de doenças.”

Para o atendente de lanchonete Jobson Menezes, 20, o maior problema tem sido as reclamações da clientela.

“Os clientes reclamam do lixo na calçada. Mas a gente não tem o que fazer. A nossa loja contrata uma empresa especializada para retirar o lixo produzido pela loja”, conta. “Mas não podemos fazer nada com relação ao lixo despejado na rua. As pessoas dizem que não tem como comer com esse cheiro ruim, mas algumas acabam consumindo."

Na rua Cônego de Vasconcelos, em Bangu, a dona de uma lanchonete especializada em empadas diz que o número reduzido de lixeiras na região contribui ainda mais para a sujeira.

“Todo mundo sabe que o número de pedestres que passa pelo calçadão de Bangu é enorme. Mas sempre sofremos com poucas lixeiras por aqui. Com a greve dos garis, a coisa ficou ainda pior”, disse Maria Amélia de Aguiar, 53. “Além da coleta estar prejudicada, também não tem gari varrendo as ruas. Pelo que eu tenho visto, o movimento tende a piorar ainda mais.”

Parados desde o dia 1°, os garis exigem aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio refeição, entre outras reivindicações. Pelo acordo coletivo anunciado na segunda-feira (3), os garis terão 9% de aumento salarial (o piso passará de R$ 802 para R$ 874), mais 40% de adicional de insalubridade.

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Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de R$ 1.224,70. Além do aumento salarial, o acordo garantiu mais 1,68% dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal. Os garis, no entanto, consideram a proposta insatisfatória, já que pedem um piso salarial de R$ 1.200.

Hoje, cerca de mil garis adeptos à greve realizaram uma manifestação em frente à sede da prefeitura, no centro da capital fluminense.

O protesto conta com o apoio de alguns profissionais do Sepe, sindicato que representa os professores da rede estadual. Por volta das 12h30, os manifestantes resolveram seguir rumo à Câmara dos Vereadores, chegando a fechar a avenida Rio Branco.

O Batalhão de Choque da Polícia Militar reforçou o policiamento no entorno do prédio do governo municipal, conhecido como "Piranhão". A PM formou cordões de segurança com cerca de 40 homens munidos de armaduras, escudos e cassetetes ao longo da calçada principal. Pelo menos dois carros da Tropa de Choque estão posicionados na região.

Em assembleia realizada na quinta-feira (6), cerca de 500 garis decidiram por manter a greve da categoria.  O prefeito do Rio, Eduardo Paes, havia anunciado, na noite de quarta (5), que suspenderia as cerca de 300 demissões de garis se os trabalhadores voltassem ao trabalho na quinta.

O gari Célio Viana, um dos líderes do movimento grevista, disse que nesta sexta, 70% dos cerca de 4.000 garis da Comlurb estão parados. Já segundo o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, a paralisação atingiu entre 30% e 35% dos responsáveis por varrer as ruas e fazer a coleta dos resíduos.

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