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PM diz que matagal encobria visão em confronto que matou Claudia no Rio

Policiais usam manequim durante a reconstituição da morte da auxiliar de serviços Cláudia da Silva Ferreira - Fabio Teixeira/UOL
Policiais usam manequim durante a reconstituição da morte da auxiliar de serviços Cláudia da Silva Ferreira Imagem: Fabio Teixeira/UOL

Henrique Coelho

Do UOL, no Rio

03/04/2014 10h48Atualizada em 03/04/2014 16h58

Durante a reconstituição do caso Claudia Silva Ferreira --morta e arrastada após operação no Morro da Congonha--, nesta quinta-feira (3), o policial militar Zaqueu de Jesus afirmou ter ficado com a visão encoberta por um matagal durante o confronto que vitimou a moradora da comunidade situada em Madureira, na zona norte do Rio.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do disparou que provocou a morte de Claudia. A reprodução simulada começou às 10h15 desta quinta-feira (3) e se encerrou por volta das 16h30. Os peritos utilizaram um manequim durante os trabalhos a fim de representar o corpo da vítima.

"Quando os policiais viram os traficantes subindo as escadas, eles atiraram. A Claudia estava passando quando o tenente Boaventura disse ter atirado com a visão encoberta por um matagal", afirmou o delegado Carlos Henrique Machado, titular da 29ª DP (Madureira), responsável pela investigação.

No depoimento prestado em sede policial, Jesus não havia declarado nada a respeito do suposto confronto, limitando-se a dizer que os policiais atiraram primeiro quando viram três traficantes na mata.

Ronald Felipe Dos Santos, acusado pela polícia de ter atirado contra os PMs Zaqueu de Jesus o Rodrigo Boaventura, presos temporariamente por 30 dias, confirmou a versão de que houve confronto entre policiais e traficantes no dia em que Claudia foi morta.

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, os cinco policiais militares envolvidos na operação de retirada de Cláudia da comunidade, assim como as testemunhas que moram na comunidade, participaram da reconstituição.

A principal dúvida que a reconstituição quer esclarecer é de onde partiu o tirou que matou Claudia. Outra questão não esclarecida: a auxiliar de serviços gerais estava viva ao sair da comunidade, como afirmam os policiais, ou já deixou a comunidade morta, de acordo com os testemunhos de moradores?

Nélio Andrade, advogado dos dois PMs presos temporariamente por envolvimento no caso --Rodrigo Medeiros Boaventura, 1º tenente e comandante da Operação no Morro da Congonha, e Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, 2º Sargento-- declarou que o tiro que matou Claudia não partiu dos seus clientes.

"É muito fácil botar a culpa só na polícia. Não existe nada que comprove que o tiro foi do fuzil que o Rodrigo estava usando. Infelizmente a senhora Claudia morreu, mas não podemos imputar a culpa aos policiais. É preciso investigar", disse Nélio.

No dia 16 de março, após um confronto entre policiais e traficantes, Claudia foi levada no porta-malas da viatura pelos policiais até o hospital Carlos Chagas, no Méier, também na zona norte. Após cair da caçamba do carro da PM, o corpo foi arrastado pela estrada Intendente Magalhães até o momento em que os policiais perceberam o que estava acontecendo. As imagens chocaram o país.

Emoção

O marido de Cláudia Silva, Alexandre Fernandes, ficou muito emocionado ao falar da mulher, morta com um tiro no coração. Ele contou que não se envolveu muito na reconstituição, porque a emoção não permitiu.

"É saudade, é muito difícil para mim. Eu só quero que eles paguem", disse ele, extremamente emocionado. Ele teve que ser acolhido por amigos.

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