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Ainda traumatizados pela tragédia, alunos voltam às aulas em Mariana (MG)

Alunos dos subsdistritos de Mariana (MG) Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo foram recepcionados pelo Papai Noel - Kiria Ribeiro/Prefeitura de Mariana(MG)
Alunos dos subsdistritos de Mariana (MG) Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo foram recepcionados pelo Papai Noel Imagem: Kiria Ribeiro/Prefeitura de Mariana(MG)

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

16/11/2015 20h48

Aproximadamente 170 alunos, dos subdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana (MG), retornaram às aulas nesta segunda-feira (16), depois que as comunidades foram destruídas pela lama que vazou das barragens de Fundão e Santarém, no último dia 5 deste mês.  

A escola municipal Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, localizada em um bairro da cidade histórica, passará a ser o novo local onde os estudantes vão estudar no período da tarde.

“Foi emocionante, eles estavam querendo encontrar com a gente. Estavam com saudade dos professores. Você acredita? São alunos humildes, simples e de um coração enorme’, contou a professora Hormelina Maria Oliveira, 46, que dava aulas de matemática na escola municipal de Paracatu de Baixo para alunos do ensino fundamental 2. A unidade de ensino foi destruída pela lama, segundo a professora, que mora em Mariana e se deslocava diariamente para o subdistrito, distante 70 quilômetros.

Segundo a professora, o primeiro dia de aula na nova escola foi de acolhida aos alunos. A educadora afirmou que eles ainda não têm condição de serem submetidos a aulas regulares, com explanação de conteúdo e aplicação de provas.

“Fizemos uma acolhida com eles, mais ouvimos do que falamos. Eles estavam ansiosos para nos contar como têm passado os últimos dias. Nós fizemos apenas uma dinâmica em sala de aula com eles. Nesta semana, a gente não vai mexer com conteúdo didático com eles. Vai ser uma semana interativa. Eles não têm cabeça para isso. Eles estão precisando, neste momento, é de carinho e atenção”, relatou.

Hormelina relatou ter ouvido de uma de suas alunas que ela não tem mais um sono regular desde o dia do rompimento das barragens.

“Ela contou que não dorme direito, ela disse que pega no sono, mas acorda em seguida assustada, achando que a lama está entrando na casa dela. É uma tristeza ouvir isso. Temos duas professoras que moravam em Paracatu. Elas também estão precisando de ajuda, de apoio neste momento. Temos que ir com calma. Quem tiver mãos força ajuda o outro e, assim, a gente vai levando”, desabafou. 

Para melhorar o clima, um voluntário, vestido de Papai Noel, ajudou na recepção, distribuindo presentes e doces.  

Material novo

De acordo com o secretário-adjunto de educação municipal, Israel Quirino, os estudantes receberam kits, contendo mochila, cadernos, canetas, lápis e material didático, de acordo com cada faixa etária, fornecidos pela empresa Samarco, responsável pelas barragens. Os desabrigados das duas localidades foram acolhidos em hotéis e pousadas da região.

“Os alunos estavam ansiosos para voltar a estudar, depois de terem passado um tempo confinados nos hotéis”, disse.

De acordo com Quirino, a empresa está colocando à disposição dos alunos das duas comunidades transporte regular para a unidade escolar.

Segundo ele, a intenção da administração municipal é mantê-los nessa escola até que se defina onde eles irão morar. A partir disso, será avaliada a necessidade ou não de construção de novas escolas.

A empresa começou, no sábado passado (14), a realocar 183 famílias para casas alugadas na cidade, mas ainda não há uma definição em relação a moradias definitivas para os desabrigados, que a um total de de 631 pessoas.

 

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