Reforma trabalhista

Brasil teve protestos em todas as capitais; SP e RJ ainda têm atos

Do UOL, em Brasília

Em dia de greve geral em no país, todas as capitais brasileiras tiveram manifestações contra as reformas trabalhistas e da Previdência, propostas pelo governo federal. Em sete delas, os atos ainda aconteciam no início da noite desta sexta-feira (28). Às 20h40, apenas Rio de Janeiro e São Paulo seguiam com manifestações.

Por volta das 16h15, policiais militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra manifestantes na frente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), no Centro da capital fluminense, que se dispersaram e reagiram lançando pedras e coquetéis molotov. Ônibus foram incendiados e as ruas da região viraram praça de guerra.

Com rostos cobertos, alguns manifestantes também queimaram lixo e pedaços de madeira no meio das vias. Várias agências bancárias e a estação Candelária do VLT, perto da avenida Presidente Vargas, foram destruídas. Placas de rua e postes, arrancados. Os PMs marcharam em direção aos manifestantes disparando balas de borracha.

Reprodução
Ônibus foram queimados por manifestantes no Centro do Rio

Em São Paulo, dois grupos com milhares de manifestantes saíram em passeata do Largo do Batata e da avenida Paulista, na zona oeste e na região central da cidade, respectivamente. Um dos organizadores dos protestos na capital paulista, Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), afirmou que esta é a "maior greve geral dos últimos 30 anos".

Por volta das 20h15, policiais militares entraram em confronto com manifestantes em frente à casa do presidente Michel Temer em São Paulo, na zona oeste da capital.

Ao chegar perto da residência do presidente, manifestantes encontraram um bloqueio policial a cerca de 100 metros do imóvel e tentaram forçar um dos pontos da barreira. A resposta veio com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e tiros de bala de borracha. O presidente está em Brasília com a família. =

Aiuri Rebello/UOL
Manifestantes se concentram no Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo

Atos encerrados

No Recife, os manifestantes saíram da praça do Derby e seguiram para avenida Conde da Boa Vista, principal corredor do centro da capital pernambucana. Eles levam cartazes com a foto de deputados federais do Estado que votaram a favor da reforma trabalhista na quarta-feira (26).

Em Brasília, manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios, em ato pacífico e acompanhado por policiais militares. A via foi bloqueada para veículos e liberada por volta das 19h.

Em Salvador, o protesto reuniu manifestantes na região do Campo Grande até as 19h.

Rodrigo Souza
Manifestantes fazem passeata nas ruas de Salvador, na região do Campo Grande, em protesto contra as reformas do governo federal

Em Natal, o ato começou às 15h e ainda não foi encerrado. Os participantes da manifestação saíram da frente do IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte), na avenida Salgado Filho, e caminharam até o Centro da cidade.

Em Porto Alegre, um grupo que se reuniu na Esquina Democrática, no Centro da cidade, no início da noite, saiu em passeata pelas ruas da região. Os manifestantes foram reprimidos por bombas de gás e jatos d'água.

As duas maiores entidades sindicais do país, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical, avaliaram como exitosas as manifestações e paralisações de várias categorias de trabalhadores em todo o país em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência Social.

Na avaliação do presidente da CUT, Vagner Freitas, a paralisação desta sexta deve ser "a maior greve já realizada no país". Ele destacou a adesão aos protestos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba e Brasília.

Já para o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), os trabalhadores decidiriam se mobilizar porque há "propostas viáveis para que o país retome o seu crescimento econômico sem a perda de quaisquer direitos trabalhistas, previdenciários e sociais". Em comunicado divulgado no fim da tarde, a Força estima que 40 milhões de trabalhadores pararam nesta sexta-feira.

Governo defende reformas

O presidente Michel Temer (PMDB) divulgou nota oficial na noite desta sexta comentando as manifestações ocorridas durante o dia e afirmou que "o trabalho em prol da modernização da legislação nacional continuará, com debate amplo e franco [...] no Congresso Nacional". O texto não cita nenhuma vez a greve geral convocada por centrais sindicais.

"Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente", diz a nota assinada presidente, que foi alvo de protestos.

Horas antes, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), afirmou ao UOL que os protestos em todo o país nesta sexta foram "pontuais" e que, ao contrário do esperado, podem "encorajar" deputados e senadores a aprovarem as mudanças nas leis trabalhistas e na Previdência pretendidas pelo governo Temer. "Se nos tivéssemos aquelas multidões que nós tivemos quando mobilizamos em busca do impeachment, teria repercussão [no Congresso]", disse.

Protestar por quê? Manifestantes explicam adesão a ato em SP

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