Escola não tinha como impedir arma em sala, diz presidente de sindicato de escolas particulares

Luciana Amaral

Do UOL, em Goiânia

  • DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

    20.out.2017 - Vigília é realizada na porta da escola particular Goyases

    20.out.2017 - Vigília é realizada na porta da escola particular Goyases

O presidente do Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia e membro do Conselho Estadual de Educação de Goiás, Flávio Roberto de Castro, afirmou neste sábado (21) que o colégio Goyases, palco do tiroteio promovido por um aluno contra colegas de classe, não tinha como impedir que o atirador levasse a pistola para o ambiente escolar.

Na sexta-feira (20), um aluno do 8º ano do colégio de Goiânia matou duas pessoas ao abrir fogo dentro de sala de aula. Outros quatro adolescentes ficaram feridos. Uma menina está em coma induzido, em estado considerado grave, após ter levado três tiros. Outras duas vítimas estão estáveis, mas ainda internados em observação. Não há informações sobre o estado de saúde do quarto adolescente ferido.

O atirador está apreendido na Depai (Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais) e, na segunda-feira (23), deve ser apresentado ao Juizado da Infância e Juventude para começar a cumprir internação provisória de 45 dias, determinada neste sábado (21) pela Justiça. Segundo o promotor Cássio Sousa Lima, que o ouviu na tarde do sábado, o adolescente admitiu que o crime foi em retaliação ao bullying que sofria por parte dos colegas. À polícia, ele já havia dito ter se inspirado nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro.

De acordo com o delegado Luiz Gonzaga Junior, o pai do rapaz disse que a arma usada pelo filho ficava escondida em um móvel da casa, e o garoto teria visto um dos pais guardando a pistola. A arma teria sido pega pelo rapaz nesta quinta (19) à noite, sem o consentimento dos pais. Ele levou o objeto escondido na mochila e, dentro de sala, disparou contra os colegas.

Para Flávio de Castro, não havia como a escola checar todos os pertences dos alunos que entram no local. Segundo ele, a escola é um lugar como outro qualquer em que não há revista de objetos.

"[A segurança na escola] é como em qualquer lugar. Em um shopping eu entro com uma mochila e não sou revistado. No aeroporto posso ir até a entrada do embarque que não sou revistado. Me diga um lugar, que não seja o banco, em que eu não entro com uma mochila e não sou revistado? Na escola não é diferente", declarou.

A escola, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia emitido posicionamento a respeito da tragédia.

CRISTIANO BORGES/O POPULAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Mulher é consolada do lado de fora do Colégio Goyases, em Goiânia

Crime deixou dois mortos e quatro feridos

Os mortos na ação foram os meninos João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, enterrados na manhã deste sábado (21). Quatro adolescentes feridos permaneciam internados na manhã de sábado: L.F.B., 14; Y.M.B., 13; I.M.S., 14; e M.R.M., 13. Uma adolescente de 13 anos estava em coma induzido, estado considerado gravíssimo, no Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia). Outras duas vítimas, um garoto e uma garota, também de 13 anos, estão em estado estável, segundo o diretor técnico do Hugo, Ricardo Furtado. A quarta vítima está internada no Hospital dos Acidentados.

O colégio Goyases, onde ocorreu o ataque, fica a cerca de sete quilômetros da região central de Goiânia. O estabelecimento atende a alunos da educação infantil e do ensino fundamental (1º ao 9º ano).

Inspiração em Columbine e Realengo

O jovem atirador que matou dois colegas relatou, em depoimento à polícia, que buscou inspiração nos nos tiroteios de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo delegado Luis Gonzaga Júnior.

"O adolescente agiu motivado por um bullying que ele sofria de outro adolescente. Segundo informação do próprio adolescente, ele se inspirou em duas tragédias. Uma tragédia que aconteceu [em 1999] nos Estados Unidos, no colégio Columbine, e outra [em 2011] no Realengo, aqui no Brasil. Dessa inspiração fez nascer a ideia nele de matar alguém. Depois, motivado por esse bullying que ele sentia e sofria por parte de um dos seus colegas, ele resolveu executar e matar pessoas", disse o policial.

Ele relatou em depoimento que tinha como alvo um dos dois jovens que morreram, que o "amolava muito", sem especificar como era a perseguição. "[Ele matou] primeiro esse colega e, depois, segundo ele, teve vontade de matar mais. No momento da execução ele falou para todo mundo: 'Vocês vão todos morrer'", acrescentou o delegado.

O delegado disse à imprensa, entretanto, que o adolescente não relatou, em seu depoimento, já ter feito alguma reclamação à escola sobre ser vítima de bullying. Funcionários do colégio também afirmaram à polícia que não havia registro de bullying em relação ao jovem que cometeu o crime.

O atirador contou ainda também que já passou por acompanhamento psicológico, o que foi confirmado por seu pai, mas nenhum dos dois deu detalhes do que se tratava e o que o motivou, segundo Gonzaga, da Depai (Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais).

Questionado se o adolescente esboçou algum sentimento de culpa, Gonzaga disse que ele não chegou a falar a palavra "desculpas", mas, pela feição, aparentava estar arrependido "com certeza".

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