Justiça determina internação provisória de garoto que matou colegas em escola de GO

Do UOL, no Rio

  • André Costa/Estadão Conteúdo

    21.out.2017 - Familiares e amigos se despedem do jovem João Vitor Gomes

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A Justiça de Goiás acolheu na noite deste sábado (21) pedido feito pelo Ministério Público e determinou a internação provisória, por 45 dias, do adolescente que matou a tiros dois colegas de classe no Colégio Goyases, na sexta-feira (20), em Goiânia. A decisão é da juíza plantonista Mônica Cezar Moreno Senhorelo.

Em sua decisão, a juíza diz que a internação é uma medida que se impõe para a garantia da ordem pública, considerando a gravidade do ato infracional, "análogo ao crime de homicídio consumado e tentado", visando ainda preservar a integridade física do adolescente. No despacho, a juíza diz ainda que a internação não deverá ultrapassar o prazo máximo de 45 dias, em obediência aos artigos 108 e 174 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

O jovem deverá se apresentar ao Juizado da Infância e Juventude na próxima segunda-feira (23), que o encaminhará ao Centro de Internação Provisória, conforme solicitado pelo Ministério Público e determinado pela juíza. Desde sexta, o garoto está detido na Depai (Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais).

O promotor de Justiça Cássio Sousa Lima pediu a internação provisória após ouvir informalmente o adolescente de 14 anos na tarde deste sábado, na Depai.

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Segundo o promotor Cássio Sousa Lima, o adolescente disse no depoimento estar arrependido e que planejou a ação como uma forma de retaliação.

"O adolescente confirmou que foi motivado pelo bullying que sofria, mas demonstrou arrependimento", disse o promotor.

Ainda de acordo com o promotor, o pai relatou que a arma estava em local seguro e difícil de acessar.

A mãe não esteve no depoimento porque foi internada, em choque, após o acontecimento, e ainda não teve alta.

Quatro estudantes ficaram feridos no ataque --três meninas e um menino. O estado de saúde do adolescente baleado é estável. Internado no Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia), ele está "orientado, consciente, com respiração espontânea, sem febre e se alimentando por via oral".

As duas adolescentes feridas que estão recebendo tratamento intensivo no Hugo não terão o estado de saúde divulgado a pedido da família. O estado de uma delas era considerado grave. A menina internada no Hospital de Acidentados de Goiânia também não teve o estado de saúde informado pelo centro de saúde.

Cuidados

O promotor pediu que o garroto permaneça em local seguro no Centro de Internação Provisória de Goiânia. "Pedi um cuidado especial à polícia judiciária", disse.

Segundo ele, é recomendável evitar que o adolescente fique perto de outros infratores menores de idade considerados perigosos.

A advogada do adolescente afirmou que não houve omissão por parte dos pais, que são policiais militares, no cuidado em relação à arma usada no crime --a pistola pertencia à mãe.

"Não foi omissão, mas eu não vou dar mais informações agora porque não estou autorizada, mas não houve omissão", disse Rosangela Magalhães, após sair da Depai pouco depois de o garoto de 14 anos ser ouvido pelo Ministério Público.

A PM informou na sexta-feira que irá apurar em um procedimento administrativo se houve descuido dos pais e se seria possível uma responsabilização por o adolescente ter tido acesso à pistola de calibre .40. O depoimento prestado pelo adolescente foi em relação ao processo judicial, e não o da PM.

A advogada evitou comentar a estratégia da defesa e o pedido de internação provisória feito pelo promotor Cássio Sousa Lima até o julgamento do caso no Juizado da Infância e do Adolescente.

"A gente resolveu que não é para falar em respeito à família. O que eu posso dizer é que nós vamos nos manifestar depois que ele for apresentado ao juiz e que a gente está preocupado com a integridade física dele. A gente levou essa preocupação ao Ministério Público, e ele é sensível a isso também", disse a advogada.

"Temos de entender e perdoar", diz pai de vítima

Os corpos dos adolescentes João Pedro Calembo e João Vítor Gomes, vítimas do atirador, foram enterrados na manhã deste sábado. Eles morreram na hora, dentro de sala de aula, depois de terem sido atingidos por diversos disparos à queima-roupa.

Durante o sepultamento, o pai de João Pedro, Leonardo Calembro, afirmou que, no momento, não se deve julgar o responsável pelo crime, e sim entender o que acontecer e perdoar. "Eu espero que toda a sociedade e os outros pais o perdoem pelo fato acontecido. Não devemos julgá-lo agora. Nós temos de entender e perdoar".

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