Menino acreano que mobilizou as redes sociais morre aos 4 anos vítima de leucemia

Igor Ferraz

Colaboração para o UOL

  • Arquivo pessoal

    Gabriel Piyãko em uma das fotos da campanha por doadores

    Gabriel Piyãko em uma das fotos da campanha por doadores

Após dois anos de intensa mobilização da família nas redes sociais, o garoto acreano Francisco Gabriel Piyãko, de apenas 4 anos, faleceu na manhã desta sexta-feira (5), vítima de leucemia, doença contra a qual começou a lutar em outubro de 2015.

Desde o dia 29 de dezembro, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, em Rio Branco. Mas, apesar da campanha, o menino não conseguiu encontrar um doador de medula óssea compatível.

Gabriel, como era chamado pela família, ganhou notoriedade nas redes sociais após o surgimento da doença e o pedido por doações de sangue do tipo O+ e de medula óssea, que mobilizou a capital acreana principalmente nas últimas semanas, quando seu quadro já era grave. Sem perder o sorriso, o garoto posava ao lado de cartazes com mensagens como "Seja meu super-herói! Uma ação sua pode salvar minha vida". As fotos e os pedidos de ajuda eram divulgados por sua mãe, Janaína Piyãko, de 25 anos, e renderam um bom número de doações de sangue e cadastros para checar compatibilidade da medula óssea. No entanto, o doador ideal não chegou a tempo. 

Natural da cidade de Marechal Thaumaturgo, que fica a 559 km de Rio Branco, a família teve de se mudar para a capital acreana dois anos atrás para tratar da doença de Gabriel. Inicialmente, o tratamento teve sucesso, porém, a leucemia, que tinha baixo risco de retorno, voltou em 2017. Em maio, Janaína voltou com a campanha para encontrar doadores.

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Durante este período, a família contou com amplo apoio de Mel Silva, coordenadora de eventos do Hospital do Câncer de Rio Branco. Em contato frequente com o garoto e com os familiares, além de ajudar fervorosamente na campanha, acabou criando uma relação de amizade com Gabriel: "Ele era uma pessoa muito positiva, muito fácil de lidar. Mesmo nos momentos ruins ele se recusava a dizer que estava se sentindo mal. Sempre dizia que estava bem. Vivia confiante na sua recuperação, dizendo que queria ir para casa. Para uma criança de 4 anos, ele tinha uma força incrível, por isso ganhou o apelido de 'guerreiro'", lembra Mel. Também no hospital, Gabriel conheceu sua melhor amiga, Débora, de 3 anos, que sofria da mesma doença.

No início de dezembro, Gabriel teve outra recaída e voltou a ser internado. Após uma piora no quadro, ele foi encaminhado para a UTI do Hospital da Criança no dia 29, o que causou comoção e gerou uma nova onda de pedidos de doação de sangue em Rio Branco. Exames mostravam um quadro de baixa de plaquetas. Neste ponto, Gabriel precisava tomar uma bolsa de plaquetas a cada oito horas. Coincidentemente, sua amiga, Débora, havia falecido horas antes. O garoto não havia recebido a notícia. "Nós, como consolo, acreditamos que Deus quis levar o Gabriel para brincar com a Débora no céu. Acreditamos que eles estavam ligados de alguma forma", diz Mel.

O último pedido de ajuda nas redes sociais veio de seu pai, Valcelio Filho, no dia 3 de janeiro: "Novamente eu faço um apelo a todos que ainda não doaram sangue. Por favor, nos ajudem doando. Quem já fez a doação, por favor, compartilhe com seus amigos para que eles possam fazer o mesmo. O tipo do Gabriel é O+, mas qualquer tipo sanguíneo serve, pois são muitas crianças e pessoas passando pela mesma situação", diz a mensagem no Facebook. No dia seguinte, um raio-x apresentou grande quantidade de água no pulmão e os médicos tiveram de recorrer a tubos de oxigênio.

Arquivo pessoal
Gabriel Piyãko com sua mãe, Janaína, e o pai, Valcelio

Na manhã desta sexta-feira, Gabriel faleceu, aos 4 anos de idade e, nas redes sociais, os inúmeros compartilhamentos de pedidos de doação de pessoas que acompanhavam a luta de Gabriel se transformaram em demonstrações de solidariedade para com a família: "Você lutou e caminhou com seu filho até o fim. Seu filho teve uma mãezona nesta terra. Ele agora é um anjo que vai cuidar de ti. Meus sentimentos", diz uma mensagem destinada à Janaína. 

"A família sabe que tudo o que era possível, foi feito. Estive com eles durante todo o processo e nós conversávamos bastante sobre isso. Infelizmente, as pessoas ainda não adquiriram a consciência da importância de ser um doador. Agora, precisamos juntar forças para continuar com as crianças que temos aqui", lamenta Mel Silva.

Na tarde deste sábado, o corpo de Gabriel voltou para Marechal Thaumaturgo, sua cidade natal, onde foi velado.

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