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Menino acreano que mobilizou as redes sociais morre aos 4 anos vítima de leucemia

Gabriel Piyãko em uma das fotos da campanha por doadores - Arquivo pessoal
Gabriel Piyãko em uma das fotos da campanha por doadores Imagem: Arquivo pessoal

Igor Ferraz

Colaboração para o UOL

06/01/2018 22h37

Após dois anos de intensa mobilização da família nas redes sociais, o garoto acreano Francisco Gabriel Piyãko, de apenas 4 anos, faleceu na manhã desta sexta-feira (5), vítima de leucemia, doença contra a qual começou a lutar em outubro de 2015.

Desde o dia 29 de dezembro, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, em Rio Branco. Mas, apesar da campanha, o menino não conseguiu encontrar um doador de medula óssea compatível.

Gabriel, como era chamado pela família, ganhou notoriedade nas redes sociais após o surgimento da doença e o pedido por doações de sangue do tipo O+ e de medula óssea, que mobilizou a capital acreana principalmente nas últimas semanas, quando seu quadro já era grave. Sem perder o sorriso, o garoto posava ao lado de cartazes com mensagens como "Seja meu super-herói! Uma ação sua pode salvar minha vida". As fotos e os pedidos de ajuda eram divulgados por sua mãe, Janaína Piyãko, de 25 anos, e renderam um bom número de doações de sangue e cadastros para checar compatibilidade da medula óssea. No entanto, o doador ideal não chegou a tempo. 

Natural da cidade de Marechal Thaumaturgo, que fica a 559 km de Rio Branco, a família teve de se mudar para a capital acreana dois anos atrás para tratar da doença de Gabriel. Inicialmente, o tratamento teve sucesso, porém, a leucemia, que tinha baixo risco de retorno, voltou em 2017. Em maio, Janaína voltou com a campanha para encontrar doadores.

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Durante este período, a família contou com amplo apoio de Mel Silva, coordenadora de eventos do Hospital do Câncer de Rio Branco. Em contato frequente com o garoto e com os familiares, além de ajudar fervorosamente na campanha, acabou criando uma relação de amizade com Gabriel: "Ele era uma pessoa muito positiva, muito fácil de lidar. Mesmo nos momentos ruins ele se recusava a dizer que estava se sentindo mal. Sempre dizia que estava bem. Vivia confiante na sua recuperação, dizendo que queria ir para casa. Para uma criança de 4 anos, ele tinha uma força incrível, por isso ganhou o apelido de 'guerreiro'", lembra Mel. Também no hospital, Gabriel conheceu sua melhor amiga, Débora, de 3 anos, que sofria da mesma doença.

No início de dezembro, Gabriel teve outra recaída e voltou a ser internado. Após uma piora no quadro, ele foi encaminhado para a UTI do Hospital da Criança no dia 29, o que causou comoção e gerou uma nova onda de pedidos de doação de sangue em Rio Branco. Exames mostravam um quadro de baixa de plaquetas. Neste ponto, Gabriel precisava tomar uma bolsa de plaquetas a cada oito horas. Coincidentemente, sua amiga, Débora, havia falecido horas antes. O garoto não havia recebido a notícia. "Nós, como consolo, acreditamos que Deus quis levar o Gabriel para brincar com a Débora no céu. Acreditamos que eles estavam ligados de alguma forma", diz Mel.

O último pedido de ajuda nas redes sociais veio de seu pai, Valcelio Filho, no dia 3 de janeiro: "Novamente eu faço um apelo a todos que ainda não doaram sangue. Por favor, nos ajudem doando. Quem já fez a doação, por favor, compartilhe com seus amigos para que eles possam fazer o mesmo. O tipo do Gabriel é O+, mas qualquer tipo sanguíneo serve, pois são muitas crianças e pessoas passando pela mesma situação", diz a mensagem no Facebook. No dia seguinte, um raio-x apresentou grande quantidade de água no pulmão e os médicos tiveram de recorrer a tubos de oxigênio.

Gabriel Piyãko com sua mãe, Janaína, e o pai, Valcelio - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Gabriel Piyãko com sua mãe, Janaína, e o pai, Valcelio
Imagem: Arquivo pessoal

Na manhã desta sexta-feira, Gabriel faleceu, aos 4 anos de idade e, nas redes sociais, os inúmeros compartilhamentos de pedidos de doação de pessoas que acompanhavam a luta de Gabriel se transformaram em demonstrações de solidariedade para com a família: "Você lutou e caminhou com seu filho até o fim. Seu filho teve uma mãezona nesta terra. Ele agora é um anjo que vai cuidar de ti. Meus sentimentos", diz uma mensagem destinada à Janaína. 

"A família sabe que tudo o que era possível, foi feito. Estive com eles durante todo o processo e nós conversávamos bastante sobre isso. Infelizmente, as pessoas ainda não adquiriram a consciência da importância de ser um doador. Agora, precisamos juntar forças para continuar com as crianças que temos aqui", lamenta Mel Silva.

Na tarde deste sábado, o corpo de Gabriel voltou para Marechal Thaumaturgo, sua cidade natal, onde foi velado.

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