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Marielle: polícia faz apreensões em casa e gabinete do vereador Siciliano

9.mai.2018 - O vereador Marcelo Siciliano (PHS) - Fabiano Rocha/Agência O Globo
9.mai.2018 - O vereador Marcelo Siciliano (PHS) Imagem: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio*

14/12/2018 11h07

Nove meses após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, agentes da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriram nesta sexta-feira (14) mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete do vereador Marcelo Siciliano (PHS). A ação tem relação direta com as investigações sobre a morte da parlamentar.

Na casa de Siciliano, que mora em um condomínio na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), os policiais apreenderam um tablet, um notebook e documentos. O vereador não estava no local. Já no gabinete de Siciliano, na Câmara dos Vereadores da capital, os agentes apreenderam um computador. Como a sala estava fechada, a porta precisou ser arrombada.

Em comunicado à imprensa divulgado por meio de um áudio, Siciliano alegou inocência e se disse "perplexo com esta etapa da investigação". 

"Eu continuo indignado com a exposição da minha família. Depois de nove meses, nada foi comprovado contra mim e inventaram uma nova investigação na Delegacia do Meio Ambiente. Não sou criminoso, estou muito envergonhado. Sequer tive votos nessas localidades em que me acusam [de envolvimento com a criminalidade]. Conheci a Marielle em março, como poderia ter ela como rival em um mês de trabalho? Sigo muito triste e revoltado", afirmou nesta sexta.

Siciliano prestou depoimento na Polícia Civil na manhã desta sexta. Ele foi ouvido sobre um esquema de grilagem de terras, que teria motivado o crime.

Porta do gabinete de Marcelo Siciliano (PHS) é arrombada durante buscas relacionadas ao caso Marielle - Gabriel Sabóia/UOL
Porta do gabinete de Marcelo Siciliano (PHS) é arrombada durante buscas relacionadas ao caso Marielle
Imagem: Gabriel Sabóia/UOL

Os mandados de busca e apreensão que envolvem Siciliano acontecem no dia seguinte a uma série de cumprimentos de mandados judiciais contra suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora. No total, foram autorizados 15 mandados de prisão, busca e intimação em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Petrópolis e Juiz de fora (MG). A polícia não informou quantos mandados foram cumpridos --o chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, alegou ontem sigilo das investigações.

Em maio, Siciliano foi citado por uma testemunha durante depoimento para a Polícia Civil e Polícia Federal --um ex-miliciano delatou que Siciliano, junto do ex-policial militar Orlando de Araújo, o Orlando Curicica, planejou a morte de Marielle. O suposto motivo seria o avanço da atuação política da vereadora em áreas comandadas por milicianos, na zona oeste do Rio. À época, Siciliano e Curicica negaram envolvimento.

Todo o material apreendido nesta sexta foi levado para a DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente), que conduz uma das frentes sobre a investigação.

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", o secretário estadual de Segurança Pública, general Richard Nunes, afirmou que Marielle foi assassinada porque interferiu em interesses de milicianos sobre loteamento de terras em regiões periféricas da capital do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil não esclareceu ainda se a atuação da DPMA neste caso apura disputas de terras e posses ilegais. Na mesma entrevista, publicada hoje, Nunes afirmou que "hoje entende que os criminosos superestimaram o papel que Marielle poderia desempenhar" em relação a essas práticas ilegais.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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