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Brumadinho tem risco iminente de novo rompimento; comunidades são evacuadas

Luciana Quierati e Talita Marchao

DO UOL, em São Paulo

27/01/2019 06h57Atualizada em 27/01/2019 13h58

O Corpo de Bombeiros afirmou, na madrugada deste domingo (27), que existe "risco iminente" de rompimento de outra barragem em Brumadinho (MG). Por volta das 8h, equipes faziam a evacuação de áreas que ficam próximas à barragem 6, também pertencente à Vale, e do centro da cidade de Brumadinho.

A corporação informou ainda que subiu para 37 o número de mortes confirmadas por conta do rompimento da barragem na sexta-feira (25). Por conta da ameaça de uma nova ruptura, as buscas por vítimas estão suspensas, já que as equipes estão priorizando a retirada das famílias na área de risco.

Segundo o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, a barragem com risco de romper possui água e fica próxima à que cedeu há dois dias. Caso ocorra o rompimento, a água poderia levar cerca de 30 minutos para alcançar o centro de Brumadinho.

Aihara pediu que a população das áreas Parque da Cachoeira, Pires, Novo Progresso e do centro de Brumadinho seguisse para três pontos seguros: a Igreja Matriz, no centro da cidade, o morro do Querosene e para o quartel da Polícia Militar --antes, a delegacia da cidade tinha sido considerada um ponto seguro, mas autoridades avaliaram que ela também pode ser atingida em caso de inundação. No total, cerca de 24 mil pessoas podem ser afetadas.

A barragem sob risco estava sendo drenada pela Vale desde a noite de sábado para evitar uma nova ruptura. O monitoramento está sendo feito a cada uma hora, juntamente com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

Em nota, a Vale informou que acionou as sirenes às 5h30 "ao detectar aumento dos níveis de água nos instrumentos que monitoram a barragem 6". Enquanto a sirene tocava, um alto-falante pedia para que a população buscasse áreas mais altas da cidade.

Uma das regiões que está sendo evacuada tem cerca de 25 casas --os moradores do bairro Parque das Cachoeiras foram levados para áreas mais altas dentro da própria comunidade-- a medida está prevista no plano de emergência de barragens. Não há informações sobre o número de casas ou de pessoas que estão sendo retiradas das outras áreas de risco.

 A B6, como é conhecida a barragem ameaçada do complexo da Vale no Córrego do Feijão, tem capacidade para 1 milhão de metros cúbicos, segundo documento da Vale.

Segundo o Corpo de Bombeiros, porém, engenheiros da empresa informaram no sábado que a barragem teria de 3 a 4 milhões de metros cúbicos de água. A que rompeu na sexta-feira tinha capacidade para 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O papel da B6 é a recirculação de água.

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

A nota da empresa diz ainda que "a Vale continuará monitorando a situação, juntamente com a Defesa Civil".

Ainda segundo o tenente Aihara, o espaço aéreo da região, a partir de hoje, ficará fechado para aeronaves em geral por determinação da Aeronáutica. O objetivo é facilitar ações de resgate. "Somente aeronaves envolvidas nas ações de resgate podem sobrevoar o local", disse o porta-voz.

37 mortos e 287 desaparecidos

O último balanço divulgado pelas autoridades nesta manhã confirma a morte de 37 pessoas e o resgate de 192 pessoas. Outras 287 pessoas estão desaparecidas.

Para auxiliar o trabalho de busca por vítimas, a Justiça mineira conseguiu uma liminar obrigando empresas de telefonia a fornecer dados sobre sinal dos celulares de pessoas que estavam na região da barragem.

Com o novo número de mortos, a queda da barragem em Brumadinho na sexta-feira já fez mais vítimas que o desastre ambiental de Mariana, em 2015, que deixou 19 mortos.

Veja o caminho percorrido pela lama da barragem de Brumadinho

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