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Sem Covas, prefeito interino diz que não era possível prever estragos em SP

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

11/03/2019 12h45

Com o prefeito de São Paulo fora do cargo em pleno dia de caos, coube ao vereador Eduardo Tuma (PSDB), presidente da Câmara e prefeito interino da capital paulista, prestar esclarecimentos sobre a situação após o temporal que atingiu a cidade na noite de ontem e durante a madrugada de hoje, além das ações da prefeitura para remediar os estragos. Ao menos 10 pessoas morreram na Grande São Paulo por causa das chuvas.

Das 19h da ontem até às 7h da manhã de hoje choveu 32,6% do que deveria chover no mês de março inteiro. Tuma disse que diante da excepcionalidade desse fato não havia como prever os estragos. Média esperada acumulada para o mês de março é de 177,4 mm de chuva, a cidade de São Paulo contabilizou 90% do que era previsto, no acumulado, ou seja 160 mm. "Não existe como prever, não existe ação a priori que possa dar solução a posteriori diante do ocorrido", afirmou. 

Ele afirmou ainda que o volume de chuvas que caiu nas cidades vizinhas ao município de São Paulo afetou a capital, dando como exemplo os municípios de São Bernardo do Campo e Ribeirão Pires que, segundo ele, tiveram um volume de precipitações de 163 mm e 173 mm, respectivamente. "Em São Bernardo do Campo, foi a maior chuva dos últimos 27 anos. Como prever isso? Não há possibilidade", disse durante coletiva de imprensa. 

O prefeito Covas tirou uma licença não remunerada de uma semana, por motivos pessoais, e desde então Tuma está à frente da gestão municipal. À tarde, a assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que Covas adiantou a sua volta ao posto para hoje. 

Ao ser questionado por diversas vezes sobre a presença de Covas, Tuma disse que o prefeito sempre esteve presente. "Bruno está presente, é ele que comanda as operações. Fala comigo e com secretários o que precisa ser feito. Ele que criou comitê [de crise] e é ele que está direcionando as ações da prefeitura", afirmou.

Carros ficara encobertos pela água na av. Presidente Wilson, zona leste de São Paulo - Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo - Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Carros ficara encobertos pela água na av. Presidente Wilson, zona leste de São Paulo
Imagem: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Piscinão da Vila Prudente não aguentou volume de água

Tuma afirmou que o caos visualizado na região da Vila Prudente, na zona leste da cidade, se deu principalmente por causa dos volume de chuvas que caiu em São Bernardo e Ribeirão Pires. O piscinão Guamiranga, inaugurado em fevereiro de 2017, não conseguiu comportar a quantidade de água vinda da bacia do rio Tamanduateí, que corta essas cidades. Os alagamentos na região resultaram na paralisação da linha 10-turqueza, da CPTM. 

Ao defender as ações preventivas da prefeitura, o secretário municipal de Segurança Urbana, coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira, disse que o piscinão é a prova do esforço que a gestão tem feito para minimizar os estragos causados pelas chuvas. "Foi feito o esforço de fazer o piscinão, para que a chuva em excesso pudesse ser acumulada naquele espaço, não ele foi suficiente para essa chuva", explicou. 

O piscinão Guamiranga tem capacidade para 850 mil metros cúbicos de água e é considerado o maior da cidade de São Paulo.

"O volume de chuva foi muito grande e água que saiu foi do leito do rio. Não foi uma água que caiu na rua e a drenagem não comportou. Ela veio do rio para a rua com isso a dificuldade de prever algo e está com uma drenagem que comporte isso", esclareceu o secretário municipal de Subprefeituras, Alexandre Modonezi.

Errata: o texto foi atualizado
A informação que Bruno Covas tirou uma licença remunerada estava incorreta. Na verdade, a licença foi não remunerada. A informação foi corrigida.

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