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Marielle: advogado de suspeito apoiou Witzel e foi preso por subornar PMs

 Ian Cheibub/Folhapress
12.mar.2019 - O governador do Rio, Wilson Witzel, em entrevista sobre o caso Marielle Imagem: Ian Cheibub/Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

2019-03-13T12:43:18

13/03/2019 12h43

Responsável pela defesa do ex-policial militar Élcio Queiroz, acusado de dirigir o carro utilizado para matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista dela, Anderson Gomes, o advogado Luiz Carlos Cavalcanti Azenha foi apoiador durante a campanha eleitoral do ano passado do então candidato ao governo do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC).

Ex-aluno de Witzel, Azenha foi figura central nos debates --em 2011, o advogado foi preso depois de tentar subornar policiais durante a fuga do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. Na ocasião, o criminoso foi detido ao ser encontrado dentro da mala do carro de Azenha.

Witzel sempre disse que, apesar de Azenha ser seu ex-aluno, não havia laços entre os dois e que o advogado não tinha participação na campanha. A revista "Veja" publicou em outubro reportagem que mostrava supostas trocas de mensagens entre os dois, que comprovariam relação próxima.

Além de dizer ter sido convidado para reuniões na casa do governador, Azenha apresentou supostas mensagens em que Witzel afirmava que ele o "representava". Diante do aumento das intenções de votos de Witzel, Azenha afirma ter sido afastado da campanha. Segundo ele, o afastamento da campanha pôs fim à amizade.

"Witzel é um fanfarrão populista. Não é amigo de ninguém e a imprensa vai descobrir que ele está usando desse caso (que não teve nenhuma participação) para se dar bem. Ele estava ao lado do deputado que destruiu a placa da Marielle e agora quer pegar carona nisso", disse Azenha, em referência ao ato de campanha em que Witzel esteve presente, no qual o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) destruiu uma placa com o nome da vereadora.

Em relação ao episódio em que foi preso junto ao traficante Nem da Rocinha, o advogado afirma que foi absolvido e que, na ocasião, estava entregando seu cliente. Azenha também afirmou que não se pode criminalizar a advocacia ou o direito de defender quem quer que seja. Sobre o trabalho realizado ao lado de Witzel durante a campanha, ele afirmou que "fui sim coordenador dele, e ele negou após ter nítido preconceito contra os criminalistas", concluiu.

Procurado hoje pelo UOL sobre as críticas de Azenha, Witzel reiterou que não tem nenhuma relação pessoal ou profissional com o advogado. O ex-juiz federal esteve ontem ao lado do delegado responsável pelo caso na entrevista à imprensa que esclareceu pontos das investigações.

Wilson Witzel participou de ato com placa de Marielle destruída

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Witzel declarou em outras ocasiões ser solidário aos familiares de Marielle.

O advogado disse ainda que não sabe se permanecerá no caso em razão de uma hérnia de disco que o hospitalizou hoje.

Mais suspeitos

Além de Élcio, também foi preso o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de ser autor dos disparos que atingiram as vítimas. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por homicídios duplamente qualificados --emboscada e motivo torpe-- e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que também estava no carro, mas sobreviveu.

Ontem, a polícia cumpriu mais de 30 mandados de busca e apreensão relacionados aos assassinatos. Segundo o delegado Giniton Lages, uma boa parte deles não estava ligada diretamente a Lessa e Queiroz e pode levar à descoberta de outros possíveis envolvidos nos crimes.

Ele não deu mais detalhes sobre a existência de mais suspeitos, mas apontou por exemplo que o responsável por clonar o Cobalt branco usado no crime ainda não foi identificado.

Hoje, a Delegacia de Homicídios e o MP do Rio cumprem 16 mandados de busca e apreensão.

Na casa de Lessa, em um condomínio na Barra da Tijuca, a polícia usou detectores de metais e encontrou uma arma de fogo e uma pá. Em uma casa no bairro do Méier, na zona norte do Rio, a polícia encontrou peças que seriam usadas na montagem de cerca de 117 fuzis. Elas estavam na residência de um amigo de Lessa.

Nas buscas, também foram apreendidos computadores e celulares que devem passar por perícia. A ideia é tentar encontrar registros que evidenciem ligações entre os acusados do crime e outros eventuais envolvidos.

A Divisão de Homicídios tem 47 policiais dedicados exclusivamente ao caso e já produziu 29 volumes com cerca de 5.700 páginas de relatórios sobre as investigações.

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