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Corpos de turistas mortas em naufrágio em Maragogi serão enterrados no CE

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

28/07/2019 19h16

Os corpos das duas turistas que morreram durante o naufrágio de um catamarã em Maragogi (AL) foram liberados pelo Instituto Médico Legal de Maceió por volta das 15h30 de hoje. Em seguida, foram trasladados em carro funerário para o município de Eusébio (CE), região metropolitana de Fortaleza, onde as duas moravam.

As turistas cearenses Lucimar Gomes da Silva, 68, e Maria de Fátima Façanha Silva, 65, morreram durante passeio de barco que oferecia mergulho nas piscinas naturais de Maragogi, na manhã de ontem. A embarcação virou e afundou. As causas do acidente ainda serão investigadas.

Segundo familiares, elas não conseguiram sair do catamarã e não estavam usando coletes salva-vidas. Filho de Lucimar, Tarcísio Silva disse que o atestado de óbito confirmou que elas morreram afogadas.

A previsão é que os corpos das duas mulheres cheguem ao Ceará às 6h de amanhã. Segundo as famílias das vítimas, o velório ocorrerá no cemitério do município e o enterro, às 16h, no mesmo local.

A prefeitura de Maragogi e o Mistério Público de Alagoas afirmaram que a embarcação em que as vítimas estavam é irregular e fazia o passeio de forma clandestina. Segundo a prefeitura, o barco estava em uma área proibida, entre 3 km e 4 km da costa alagoana.

Filho de vítima vendeu pacote com passeio

O passeio de catamarã que terminou em morte fazia parte de um pacote de viagem para conhecer Maragogi e Porto de Galinhas (PE) e foi vendido pela agência de turismo de Tarcísio Silva, filho de Lucimar Gomes da Silva, a Simbora Vip Tur. Cinquenta pessoas vieram do Ceará na excursão. Ao todo, havia 60 pessoas dentro do barco (50 adultos, quatro crianças e seis tripulantes).

O operador de turismo Tarcísio Silva e a mãe dele, Lucimar, que morreu no naufrágio, em foto do passeio de junho em Maragogi - Reprodução/Instagram Simbora
O operador de turismo Tarcísio Silva e a mãe dele, Lucimar, que morreu no naufrágio, em foto do passeio de junho em Maragogi
Imagem: Reprodução/Instagram Simbora
O retorno do grupo a Eusébio ocorreu no ônibus fretado pela Simbora na manhã de hoje. Os turistas seguiram viagem acompanhados de médico e enfermeira, cedidos pela prefeitura de Maragogi, e devem chegar por volta das 22h no Ceará. Familiares das vítimas fatais seguem de avião, na noite de hoje, de Maceió para Fortaleza.

Em entrevista ao UOL, Tarcísio Silva, disse que registrou boletim de ocorrência na delegacia de Maragogi, na manhã de hoje, e pede que o caso seja esclarecido. Ele voltou a dizer que o barco não bateu em pedras, que as ondas e ventos estavam fortes, no momento do acidente.

"Esperamos uma resposta rápida das autoridades para saber o que realmente aconteceu, pois saíram informações que o barco bateu em pedras, mas eu estava no catamarã e não foi isso. O vento estava forte e o mar agitado. Do nada, fomos avisados que o catamarã estava virando e o comandante pediu que fôssemos todos para um lado para reverter o problema, mas acabou afundando", relata Silva, que também é vereador em Eusébio.

Vídeo mostra passageiros sem colete salva-vidas

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Investigações

Ele e familiares da segunda vítima voltarão a Maragogi daqui a duas semanas para cobrar respostas do inquérito policial aberto sobre o caso. "Não vamos deixar os responsáveis impunes. Estamos indo para o Ceará, mas voltaremos para o caso não cair no esquecimento", afirma.

Pelo menos, oito pessoas já prestaram depoimento sobre o acidente. O ex-prefeito de Maragogi Marcos Madeira, apontado como verdadeiro proprietário do catamarã pelo Ministério Público, se apresentou à polícia e negou que seja dono do barco e do receptivo responsável pelo passeio que resultou em tragédia.

A Capitania dos Portos de Alagoas informou, por meio de nota, que instaurou inquérito para apurar as causas, além das circunstâncias e responsabilidades do acidente. A Marinha do Brasil informou ainda que o catamarã está inscrito na Capitania dos Portos de Alagoas para a atividade de transporte de passageiros e encontrava-se com a vistoria válida.

"Durante a apuração serão realizadas oitivas de testemunhas, análise de documentos e perícia, além de outros procedimentos que sejam necessários", diz a nota.

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