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Polícia prende suspeitos por roubo de ouro no aeroporto de Guarulhos

Luís Adorno*

Do UOL, em São Paulo

28/07/2019 15h31Atualizada em 29/07/2019 11h21

A Polícia Civil prendeu, entre ontem e hoje, quatro suspeitos de terem participado do roubo de 720 kg de ouro ocorrido dentro do terminal de cargas do aeroporto internacional de Guarulhos na última quinta-feira (25). O caso é investigado pela 5ª Delegacia Patrimônio (investigações sobre roubo a banco) do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

O funcionário do aeroporto que afirmou ter sido feito refém pelos criminosos durante a ação, Peterson Patrício, foi preso ontem. A Justiça acatou um pedido de prisão preventiva contra ele.

Os policiais civis refizeram com o funcionário que teria sido feito refém o trajeto feito desde a sua suposta abordagem, até o sequestro de sua mulher e sua liberação. Após apresentar nervosismo, os policiais afirmaram que o funcionário confessou a participação no crime.

O segundo suspeito detido, Peterson Brasil, que também é funcionário do aeroporto, seria o homem que convidou o suposto refém para participar do crime. Ele prestava esclarecimentos no Deic na tarde de hoje e teve seu pedido de prisão preventiva autorizado no início da noite.

Por volta das 20h50, mais dois homens foram presos e levados ao Deic. Eles seriam donos do estacionamento em que caminhonetes usadas para a fuga foram encontradas. O grupo usou esses veículos depois de sair do aeroporto em carros que imitavam veículos da Polícia Federal.

A polícia não deu detalhes sobre o motivo das últimas duas prisões, mas afirmou que a dupla foi detida em flagrante. O estacionamento fica próximo ao Jardim Pantanal, na zona leste da capital.

O ouro roubado corresponde a cerca de R$ 110 milhões, segundo a polícia. Gravado por câmeras de segurança, o assalto durou menos de cinco minutos, segundo policiais federais, entre a entrada dos criminosos no local e a fuga. Não houve tiroteio e ninguém ficou ferido.

Para conseguir efetuar o roubo, os criminosos clonaram dois carros com adesivos da PF (Polícia Federal). Com armas de grosso calibre, balaclavas e coletes à prova de balas, eles obrigaram funcionários do terminal a colocarem o ouro nos veículos.

Suspeito foi mantido refém, diz advogado

O primeiro suspeito detido, Peterson Patrício, trabalhava havia sete anos como encarregado de despacho no aeroporto. Seu advogado, Ricardo Sampaio Gonçalves, disse que Patrício não confessou a ele ter participado no crime, mas diz ter sido mantido refém pela quadrilha no dia anterior ao roubo.

"Ele me disse que está muito confuso, que não sabe o que está acontecendo na verdade", afirmou o defensor, que disse ter sido acionado por parentes de Patrício quando soube da prisão. "Uma família muito simples, de pessoas muito humildes, que não estão entendendo o que está acontecendo."

Patrício foi o primeiro trabalhador do aeroporto a ser eleito pelos funcionários para integrar o Conselho da Administração da Concessionária, que é formado principalmente por executivos e membros da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Eleito em 2014, seu mandato terminou em abril de 2016. O conselho, que é um dos mais importantes da gestão do aeroporto, tem acesso a uma série de documentos, contratos e planos referentes ao aeroporto.

Quando assumiu como membro do conselho, Patrício deu uma entrevista ao jornal do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e explicou que sua responsabilidade no Departamento de Cargas do terminal era entregar cargas. "Sou fiel depositário, faço a entrega, liberação e expedição das cargas armazenadas no departamento de importação".

Em nota, os delegados Pedro Ivo Correa dos Santos e João Hueb, da 5ª Delegacia Patrimônio (Investigações sobre Roubo a Banco), informaram que não forneceriam mais informações sobre as prisões e o que as motivou para "preservar a investigação e evitar desvios na linha de trabalho.

Em nota, a GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto, disse cumprir todas as normas internacionais e práticas de segurança pertinentes à segurança do terminal. A empresa ressalta ainda que todas as informações referentes ao episódio ocorrido no último dia 25, no Terminal de Cargas do Aeroporto, estão sendo repassadas à Polícia Civil, que está liderando as investigações.

Sequestro na véspera

Um dia antes do assalto ao terminal de cargas, segundo relatou à polícia, Patrício disse que tinha acabado de sair de casa na Vila Ester, zona leste da capital, acompanhado da mulher, quando foi abordado por um homem armado que dirigia uma ambulância. A mulher foi obrigada a entrar no veículo e foi levada.

Em depoimento à polícia, Patrício teria contado que um outro homem ficou ao seu lado na rua e disse: "A gente já sabe sua função lá no aeroporto. Queremos que você nos leve até a carga de ouro, que a gente sabe que vai chegar, que vai ser entregue tal dia, tal hora". Com a mulher sequestrada, Patrício disse ter seguido todas as orientações dos criminosos, inclusive não acionando a polícia.

No dia seguinte ao início do sequestro, Patrício foi trabalhar e foi orientado a agir normalmente. Sua função no plano era ajudar a quadrilha a entrar no terminal de carga e indicar onde estava o ouro.

*Com Estadão Conteúdo

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