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Cabo do Bope é condenado a 29 anos por repassar informações a traficantes

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corrupção, político, política Imagem: Getty Images

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

12/09/2019 11h27

O cabo Rodrigo Mileipe Vermelho Reis, do Bope (Batalhão de Operações Especiais), foi condenado a 29 anos de prisão por repassar informações sobre operações da unidade em troca de pagamento de propina pelos traficantes. A decisão foi da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), e atendeu um recurso do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Mileipe havia sido absolvido em julgamento feito em setembro de 2017 também pelo TJ-RJ. Na mesma ocasião, os outros quatro militares acusados de ligação com o crime foram condenados: Silvestre André da Silva Felizardo (apontado como líder do esquema teve pena de 80 anos de prisão), Raphael Canthé dos Santos, Maicon Ricardo Alves da Costa e André Silva de Oliveira (os três punidos por 48 anos).

O MPRJ recorreu da sentença de Mileipe, e o desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes decidiu pela punição ao militar. Na sentença assinada em 23 de julho, o magistrado citou provas colhidas durante a investigação como os mais de R$ 66 mil encontrados embaixo do colchão na casa do cabo, e também o fato dele ter sido identificado pelo traficante Fabiano Amado Nicollelio, conhecido como Macarrão, apontado como responsável pelo recolhimento do dinheiro na favela do Juramentinho, localizada no bairro de Vicente de Carvalho, na zona norte do Rio.

"Na oportunidade, o traficante descreveu as características físicas do réu - homem branco, careca e com tatuagem de caveira em um dos braços", disse Fernandes.

Os cinco policiais foram presos em dezembro de 2015 durante uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP). "Os PMs, sendo a maioria lotada, na época, no Bope, teriam recebido vantagem indevida de diversos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), responsável por grande parte do tráfico de drogas e armas de fogo no estado do Rio de Janeiro, em troca de repasse de informações a respeito de data, horário e locais em que seriam realizadas as operações policiais desse especial batalhão", explicou o desembargador na sentença.

O esquema foi revelado após a prisão de Leonardo Barbosa da Silva, conhecido como Léo do Aço, apontado pela polícia como líder do tráfico nas favelas de Antares e Rola. Em depoimento, ele confirmou que pagava aos policiais do Bope valores entre R$ 50 mil e R$ 70 mil por semana.

"Asseverou que obrigava aos policiais a darem 'bom dia' e 'boa noite' aos 'associados' [traficantes] e pedirem desculpas quando deixavam de avisar previamente sobre as operações na comunidade", destacou o desembargador. De acordo com Léo do Aço, Raphael Canthé dos Santos seria o responsável por receber a propina, enquanto Silvestre André da Silva Felizardo lideraria o esquema.

O UOL ainda não localizou a defesa de Mileipe para comentar a decisão.

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