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RJ: operação tem 4 mortos; PM flagrado dando soco em detido é preso

PM atinge soco na cabeça de suspeito durante operação no Rio de Janeiro  - Reprodução
PM atinge soco na cabeça de suspeito durante operação no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

16/09/2019 12h31Atualizada em 16/09/2019 15h55

O policial do BPChoque (Batalhão de Choque) flagrado dando um soco na cabeça de um homem detido durante operação da Polícia Militar na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, foi preso administrativamente pela corporação. Até as 12h30, ao menos quatro pessoas morreram nessa operação, que registrou confronto entre PMs e criminosos.

Segundo a PM, "o militar está à disposição do comandante do BPChq". Imagens feitas pelo Globocop da TV Globo na manhã de hoje mostram o homem sem camisa rendido por dois policiais do Choque e levando um soco da cabeça de um dos agentes (a identidade dele não foi revelada).

Além de homens do BPChoque, participam da operação policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do BAC (Batalhão de Ações com Cães). Às 11h, a ação ainda estava em andamento. O motivo da operação na comunidade não foi informado.

Um policial foi atingido por estilhaços. Ainda não há informações sobre identificação das vítimas. Elas foram encaminhadas para o Hospital Salgado Filho, no Méier, também na zona norte. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, quatro pessoas chegaram ao hospital em óbito.

Um homem identificado como Lucas Menezes passava na tarde de hoje por cirurgia —o estado dele é considerado grave. A sexta vítima é uma mulher, com quadro de saúde estável.

A PM disse, por meio de nota, que, até o momento, um rádio transmissor e um fuzil foram apreendidos.

A favela do Jacarezinho tem um dos piores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) no comparativo com outros 126 bairros monitorados pelo censo de 2000.

Tiros paralisam circulação de trens

Devido ao tiroteio nas proximidades da estação Jacarezinho, houve interrupção na circulação de trens do ramal Belford Roxo da concessionária SuperVia entre 5h35 e 6h45. A paralisação do serviço ocorreu por motivo de segurança dos passageiros e funcionários.

Às 6h45, uma das linhas do ramal voltou a operar após a Supervia verificar que nenhum tiro atingiu a rede aérea. A outra linha foi reaberta às 7h15.

Desde o início do ano, a SuperVia já precisou alterar a circulação 57 vezes devido a tiroteios nas imediações da via férrea. "Onze dessas ocorrências foram registradas próximas da estação Jacarezinho", informou a concessionária lamentando ainda os transtornos causados.

Recorde de mortes em ações policiais

De acordo com dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), autarquia ligada ao governo estadual, as mortes em ações policiais no mês de julho registram o maior número para um mês desde 1998. Foram 194 casos, um aumento de 49% em relação ao ano passado.

Em comparação com o mês de junho, a alta foi de 29%. No acumulado de janeiro a julho, 1.075 pessoas morreram em intervenções policiais —número 20% maior do que o mesmo período de 2018.

Os números cresceram em meio à defesa de um discurso de "abate" do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Ele defende, desde a época de campanha, que pessoas portando fuzil sejam abatidas pela polícia.

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