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Menino está desaparecido há 9 dias, após fugir de castigo e pular portão

Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho está desaparecido em Mato Grosso - Arquivo pessoal
Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho está desaparecido em Mato Grosso Imagem: Arquivo pessoal

Bruna Barbosa Pereira

Colaboração para o UOL, em Cuiabá (MT)

29/10/2019 09h35

Há mais de uma semana, Anelice da Silva Gomes, 23 anos, não tem notícias do filho Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho. O garoto de seis anos desapareceu após pular o portão da casa onde mora com a família, no Bairro Jardim Iguaçu, em Rondonópolis (MT), no último dia 20. Além dos nove dias de espera e sem pistas do paradeiro da criança, a mãe também sofreu uma tentativa de golpe de um falso sequestrador.

Nas mensagens enviadas pelo Whatsapp, o suspeito pedia R$ 20 mil para devolver a criança à família. O texto também informava que Samuel estava bem, mas que só retornaria para casa mediante o pagamento do resgate. A veracidade da mensagem foi analisada pela Polícia Civil, que constatou que o pedido era falso.

Para enviar a mensagem, o suspeito utilizou um telefone com DDD 48, de acordo com Anelice. O prefixo é do estado de Santa Catarina. "Ficaram sabendo do desaparecimento e quiseram tirar proveito, são pessoas mal-intencionadas tentando se aproveitar. Foi tudo uma tentativa de golpe", comenta, em contato com o UOL.

Anelice tem mais dois filhos — um de quatro e outro de um ano — e está grávida de sete meses e meio. Ela diz que, desde o desaparecimento de Samuel, parou de se alimentar como deveria, o que pode colocar a gestação em risco. Também teme que a mãe entre em depressão, já que estava na casa com o neto no momento do desaparecimento. De acordo com Anelice, a avó de Samuel teria se afastado da criança por alguns minutos para ir até a cozinha, momento em que o menino teria pulado o portão.

"Eu não estava na hora que ele [Samuel] desapareceu, tinha saído para ir à casa de uma amiga. Ele estava de castigo, porque estava um pouco teimoso. Mas pulou o portão para ir brincar na rua", explica.

De acordo com a mãe, era comum que o menino "escapasse" dos castigos para brincar com outras crianças da vizinhança. Porém, ele nunca havia desaparecido. Samuel estava sem camisa, usando apenas um short cinza.

O caso está sendo investigado pela titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis, Karla Cristina Peixoto Ferraz. Anelice ressaltou que mais de 20 pessoas já teriam sido ouvidas sobre o desaparecimento do filho, porém nenhuma delas teria dado detalhes relevantes para a investigação.

Buscas em rios

O Corpo de Bombeiros fez buscas pelo rio Arareau, em Rondonópolis, durante a última semana, após denúncias de que o menino havia sido morto, e o corpo, jogado nas águas. Após buscas nas margens e no leito do rio, os bombeiros não encontraram pistas de Samuel e encerraram as atividades na sexta (25).

Anelice conta que nunca pensou que sua família enfrentaria um caso de desaparecimento. "Tenho me culpado, porque, talvez, se eu tivesse levado ele para onde fui ou ficado em casa mesmo, isso não teria acontecido. Não durmo direito, não sinto fome e estou preocupada com minha mãe", desabafa.

Ela relata que os irmãos de Samuel têm apresentado sinais de tristeza e perguntam quando o irmão mais velho voltará para casa. Segundo Anelice, João, de um ano, fica olhando a foto de Samuel e chamando pelo nome dele. "Estão até 'doentinhos', falam que o irmão está demorando para chegar."

Alarmes falsos

Outras pistas falsas também já haviam dado esperanças para a família da criança. No último dia 22, um morador afirmou ter ouvido o choro de uma criança em uma região de mata no bairro Lúcia Maggi, em Rondonópolis. Porém, tudo não passou de um alarme falso.

No dia seguinte, a Polícia Militar e a Polícia Civil informaram que não havia registros de tentativa de sequestro de criança no período e desmentiram boatos que surgiram após o desaparecimento de Samuel.

Cotidiano