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PM que matou ex-mulher na frente do filho de 7 anos em SP é demitido

PM estava lotado da Tropa de Choque, batalhão considerado de elite da PM de SP - 15.mar.2014 - Avener Prado/Folhapress
PM estava lotado da Tropa de Choque, batalhão considerado de elite da PM de SP Imagem: 15.mar.2014 - Avener Prado/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

19/11/2019 12h19

Resumo da notícia

  • Cabo do Choque afirmou que matou ex-mulher porque "perdeu a cabeça"
  • 11 dias antes do feminicídio, mulher havia registrado BO contra o policial
  • PM falou ao filho: "isso aqui é para a sua mãe descansar um pouco"

A Polícia Militar aplicou ontem pena de demissão ao cabo Maurício de Oliveira Gama, 47, do Batalhão de Choque, que matou a ex-mulher, Celina Moura Mascarenhas Gama, 35, na frente do filho de 7 anos, em agosto de 2017.

A demissão do cabo foi publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) de hoje. Celina era estudante de Direito. Segundo depoimento do policial, eles estavam separados havia um ano e discutiam frequentemente pela guarda do filho.

O caso foi registrado como feminicídio, ou seja, quando a mulher é assassinada pela sua condição de mulher. Ela foi atingida por dois tiros na cabeça dentro de sua casa, na avenida do Estado, no bairro do Bom Retiro, centro da capital. Maurício ainda não foi julgado.

Segundo a Polícia Civil, o filho presenciou o assassinato da mãe. Ouvido na delegacia por uma hora, o menino disse ao delegado que viu a mãe caída no chão após os disparos, que perguntou ao pai o que havia acontecido e ouviu: "isso aqui é para a sua mãe descansar um pouco".

Após matar a ex-mulher, o PM ligou para a ex-sogra e contou a ela que cometeu o crime. Ele deixou a arma sobre um armário do quarto de Celina e fugiu da casa.

Em depoimento à polícia, à época, Maurício disse que pegou o filho e que, juntos, seguiram para o apartamento dele, na região da Luz, também no centro.

Pai e filho permaneceram no local por pouco tempo. Antes de sair de casa, o PM deixou o filho sob os cuidados da síndica de seu condomínio. Sem informar onde estava, o militar passou a negociar por meio de um advogado a sua apresentação à polícia.

O ex-marido disse em depoimento que Celina "era destemperada e brigava por qualquer coisa". O PM informou ainda que só esteve na casa da ex-mulher porque ela havia prometido que entregaria o filho. Em nova discussão, ele afirmou que perdeu a cabeça e atirou por impulso contra ela.

Ela havia registrado BO (Boletim de Ocorrência) contra o PM 11 dias antes de ser assassinada. Disse na ocasião que o ex-marido a agrediu com um soco no rosto nos corredores de um hospital após uma discussão. A agressão ocorreu enquanto o filho, que estava doente, era atendido na unidade.

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