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Professor morre e deixa "manual" para velório: "uísque, música e alegria"

Mesa com garrafas de uísque no velório de José Dias Ferreira Neto - Arquivo pessoal
Mesa com garrafas de uísque no velório de José Dias Ferreira Neto Imagem: Arquivo pessoal

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

07/12/2019 04h00

"Bem, já que morri, vamos aos próximos passos", começa escrevendo o professor de engenharia civil José Dias Ferreira Neto, de Jundiaí, interior de São Paulo, em uma carta deixada para a família e amigos sobre como gostaria que seu velório fosse realizado. O docente, de 68 anos, morreu na última quarta-feira (4) de pancreatite aguda.

Entre os pedidos que constam do "manual" estão uísque, música de Pink Floyd e Aerosmith, doação dos órgãos e cremação. "Durante meu velório quero, o tempo todo, música (abaixo a relação), uísque e alegria, para comemorar uma vida cheia dela", diz trecho da carta.

Procedimentos para meu Velório

Bem, já que eu morri, vamos aos próximos passos:

1° Assim que for constatado que eu parti desta pra melhor, retirar todos os órgãos e material biológico que possa servir para melhorar ou prolongar a vida de alguém;

2° Durante meu velório quero, o tempo todo, música (abaixo a relação), whisky e alegria, para comemorar uma vida cheia dela;

3° Antes do transporte para a cremação, quero que seja lido, o texto que ao final deste, está destacado e ao final da leitura, gostaria que todos cantassem a música "Canção da América" de Milton Nascimento, prestando muita atenção na sua letra;

4° As duas músicas que serão apresentadas durante o procedimento do "churrasqueamento" serão:

a) No início- WISH YOU WERE HERE - Pink Floyd

b) No encerramento- COMFORTABLY NUMB - Pink Floyd

Durante a execução das duas músicas, os presentes deverão ter em mãos a tradução de cada uma delas! (em anexo, pra não dar trabalho)

5° Finalizada a cremação, onde quero apenas minha família e amigos mais próximos (que também foram a minha família), as cinzas deverão ser entregues para Dª Cassia, que as lançará ao vento, para que voltem à Terra que as deu!!!!

De acordo com a família, a carta foi escrita há cerca de cinco anos, quando o professor ainda não estava doente. Como forma de homenagear Zé Dias, como o professor era conhecido, os familiares resolveram seguir as instruções deixadas pelo docente.

"Um dia ele escreveu essa carta e contou para nós da família. O documenta estava no computador pessoal dele e só tivemos acesso quando ele faleceu", diz o filho Luis Rodrigo Pantano Dias Ferreira, 41. Ainda segundo o filho, o pedido não surpreendeu a família, já que o professor era conhecido por sua alegria e diversão.

José Dias Ferreira Neto - Arquivo pessoal
José Dias Ferreira Neto
Imagem: Arquivo pessoal
As orientações de Zé Dias foram atendidas pelos familiares. Uma mesinha com copos e duas garrafas do uísque preferido do professor foi montada na sala de velório. Um pedestal com a carta que o professor escreveu também foi deixado no local para que os amigos lessem e pudessem entender o significado da bebida. Além disso, uma caixinha de som com as músicas citadas no "manual" também compôs o cenário.

"Tentamos seguir tudo à risca para que a vontade dele fosse feita nos mínimos detalhes. O único pedido que não foi atendido foi a doação dos órgãos, que não pôde ser feita porque a doença comprometeu o funcionamento deles", explica o filho.

A carta traz ainda uma reflexão, que a pedido do professor foi lida em voz alta durante o momento de oração e na cremação.

"Quero que ao se lembrarem de mim, lembrem-se dos momentos felizes que dividimos, festas, churrascos, pizzadas, entre outras, tudo com muita alegria. A vida é muito curta e efêmera, devemos aproveitar cada momento, fazendo o bem, zelando pelas pessoas, ajudando a todos que nos procuram, a alegria de dar ajuda ao próximo é insubstituível", escreveu.

O velório do professor Zé Dias foi realizado em Jundiaí e a cremação em Itatiba, ontem.

Cotidiano