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Longe por causa do coronavírus, filho de fisioterapeuta manda vídeo fofo

Simone Machado

Colaboração para o UOL

07/04/2020 20h52

Há 15 dias, a gerente de fisioterapia do Hospital Geral de Goiânia, Joana Angélica de França Barbosa, 37, tomou uma das decisões mais difíceis de sua vida: se afastar dos dois filhos pequenos para minimizar as chances de contágio das crianças pelo novo coronavírus. Com uma rotina intensa dentro do hospital, que atende pacientes com sintomas da doença, as chances da profissional ser contaminada pela covid-19 são grandes e manter-se longe da família foi a solução encontrada para evitar que o vírus se propague.

"É difícil, sentimos falta das coisas pequenas do cotidiano. Do abraço, do sorriso deles, de ficarmos juntos deitados no sofá assistindo TV. Eu vejo o quarto deles cheios de brinquedos esperando por eles, aquele silêncio na casa, tudo faz muita falta", conta Joana.

Mas ontem, durante mais um expediente no hospital, Joana recebeu uma surpresa. Seu filho mais velho, Felipe França Carvalho, 8, gravou um vídeo dizendo a saudade que sente da mãe, mas que também entende o trabalho dela e a necessidade do distanciamento físico nesse momento.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"Foi uma emoção imensa. Ontem foi um dia em que o trabalho estava muito intenso e quando eu vi a mensagem do Felipe eu desabei a chorar e vi que todo o esforço vale a pena. Aqui no hospital costumamos dizer que o paciente é o amor de alguém e por isso merece todo o carinho e cuidado. Mas nós profissionais de saúde também somos assim, também somos o amor de alguém e queremos que tudo isso passe logo e que possamos voltar a nossa rotina e a ter uma vida ao lado de nossa família como era antes ", acrescenta a gerente de fisioterapia.

No vídeo de pouco mais de 20 segundos, Felipe diz que a primeira coisa que quer fazer após a quarentena é ver a mãe e diz que entende o trabalho dela no hospital.

"O que eu mais quero depois da quarentena é ver a senhora, mas enquanto não acaba a quarentena, não fique preocupada. Pode ficar cuidando dos doentes. Eu e o Lorenzo estamos bem aqui na dindinha", disse Felipe no vídeo.

Joana explica que a decisão de deixar os dois filho, Felipe de 8 anos e Lorenzo de 4, com a irmã surgiu depois de uma conversa em família. Como é divorciada e o pai dos garotos mora em outro estado, essa foi a melhor solução encontrada por eles nesse momento de pandemia.

"Com a suspensão das aulas e o meu contato diário com a equipe de fisioterapeutas e pacientes achamos melhor deixar as crianças com a minha irmã pela segurança deles. Ela é professora e está em casa sem dar aulas nesse período, além de ser muito amorosa e eles são apaixonados por ela", explica.

Ideia do vídeo

Segundo ela a gravação do vídeo foi iniciativa do próprio Felipe. A ideia surgiu depois que o menino recebeu a lição escolar onde o tema era "esperança" e as crianças deveriam contar o que elas querem fazer assim que o período de isolamento social terminar.
"Minha irmã conta que quando o Felipe leu o tema da atividade ele começou a chorar de saudade. Mas ai ela conversou com ele, os dois juntos fizeram uma oração e com muito carinho ela foi ajudando o Felipe a fazer a atividade. Quando terminou o exercício ele pediu para a minha irmã fazer o vídeo que ele queria me contar sobre a atividade e que ele sentia a minha falta", relata Joana.

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