PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
3 meses
Morre homem que viralizou ao ajudar idosa a atravessar rua alagada no RJ

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

24/06/2020 09h07

O guardador de carros Varlei Rocha Alves, o Capoeira, ficou conhecido após um vídeo no qual aparece ajudando uma idosa a atravessar uma rua alagada durante um temporal, viralizar na internet. O ato motivou campanhas de ajuda e ele chegou a comprar dois imóveis. Porém, em 7 de maio, o guardador de carros morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. O fato tornou-se público ontem através do site "Razões para Acreditar" e foi confirmado pelo UOL junto à Rio Saúde, empresa pública responsável por parte das unidades do Rio.

Nas imagens que viralizaram, o guardador de carro aparecia fazendo uma espécie de ponte com caixotes para que uma senhora atravessasse a enchente. O caso ocorreu durante um temporal no ano passado que castigou diversos bairros do Rio, inclusive em Copacabana, onde o vídeo foi gravado.

Capoeira guardador de carros - Taís Vilela/UOL - Taís Vilela/UOL
Varlei Rocha Alves, o Capoeira, deixa um filho de 11 anos
Imagem: Taís Vilela/UOL
Após a boa ação repercutir na internet, o site Razões para Acreditar organizou uma vaquinha virtual para recompensar Capoeira. A meta era arrecadar R$ 40 mil para ajudar o guardador de carros a comprar uma casa. No entanto, a iniciativa arrecadou R$ 170 mil.

Com o dinheiro, Capoeira comprou dois imóveis no bairro da Pavuna, na zona norte do Rio: um para ele e o outro para a irmã que era chamada de mãe pelo filho de Capoeira. O imóvel fica em um mesmo terreno. O guardador de carros ficou com andar de cima e a irmã com o de baixo.

Capoeira morreu no dia 7 de maio, mas apenas ontem o óbito foi divulgado. Após passar mal, ele foi levado às pressas para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Costa Barros com uma parada cardiorrespiratória de causa indeterminada. Segundo a Rio Saúde, os médicos ainda tentaram ressuscitá-lo, mas ele não resistiu. Capoeira deixou um filho de 11 anos.

Sonho da casa própria

Os valores arrecadados realizaram o sonho de Capoeira, que morava na comunidade de Costa Barros, também na zona norte do Rio. Antes de ter um imóvel próprio e se mudar, ele vivia com o filho na casa da irmã, Claudilene Rocha (conhecida como Dinha), e com os seis filhos dela em um barraco.

A mulher de Capoeira morreu há nove anos. O flanelinha já morou na rua e lamentava por não ter um imóvel próprio, principalmente por conta do filho, Darlei.

"Quando eu brigo com a minha irmã, quem tem que sair sou eu, que ela toma conta do meu filho. Durmo na pista, na praça, nos carros, durmo pelos cantos", contou. "É chato a gente morar no que não é nosso. [...] É uma vida triste, fazer o quê?" Pensando no menino, Capoeira sonha em ter um cantinho só dos dois. "Meu sonho é ter uma casa própria para eu dizer 'meu filho, essa é a tua casa, o pai vai morrer, mas essa casa é tua", contou emocionado ao UOL, antes de arrecadar os valores.

Cotidiano