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SC: Prefeito de cidade atingida por ciclone estima prejuízo de R$ 200 mi

Ginásio após passagem do ciclone bomba em SC; "Nunca tinha visto nada igual", disse o prefeito - Juliano Duarte Campos/Arquivo pessoal
Ginásio após passagem do ciclone bomba em SC; "Nunca tinha visto nada igual", disse o prefeito Imagem: Juliano Duarte Campos/Arquivo pessoal

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

03/07/2020 15h46

A cidade de Governador Celso Ramos (SC) ainda tenta se reerguer e voltar à normalidade após a ocorrência do chamado ciclone bomba. Ao todo, 3.000 edificações - entre moradias e prédios comerciais - foram danificadas pela tempestade na última terça-feira (30). O prefeito Juliano Duarte Campos (PSB) estima um prejuízo de R$ 200 milhões para reconstruir a cidade. O valor é mais do que o dobro da arrecadação municipal no ano, que gira em R$ 90 milhões.

"Se a gente tivesse dinheiro, em seis meses conseguiríamos reconstruir tudo, mas não temos", lamenta o político. Na cidade, um homem morreu e oito pessoas ficaram feridas devido ao ciclone.

O prefeito saía de uma reunião em Florianópolis, a 50 quilômetros de distância, quando avistou a tempestade se formando e indo em direção a Governador Celso Ramos. O político cancelou o compromisso e retornou às pressas. Quando chegou, encontrou a cidade do avesso.

"Estava tudo destruído, o ginásio municipal, as moradias. Teve casa que não existe mais, que sumiu do mapa. Parecia cena de guerra, a sensação de pós-guerra. Era uma cena que a gente só vê no cinema. Eu tenho 47 anos e nunca tinha visto nada igual", relata o prefeito.

A casa de Maria de Lourdes de Mello, 52 anos, estava no caminho do rastro de destruição. Ela, o marido, os dois filhos e o neto de três anos tiveram que se abrigar embaixo de uma mesa para se proteger da tempestade. Enquanto estavam ali, o vento arrancou o telhado, vidros se quebraram e a chuva molhou móveis e pertences. Maria conta que estava conversando com a filha, quando ouviu o barulho do mar, a poucos metros de distância.

"Como a casa é perto do mar, a gente pensou que era um tsunami. Eu e minha filha nos olhamos e corremos para debaixo da mesa. Foi uma coisa do inferno", conta Maria.

Do lado de fora, o trailer de cachorro-quente da família ficou praticamente destruído. A força do vento ergueu para o alto a estrutura, que capotou em cinco carros e parou a 100 metros de onde estava. Ainda não se sabe se o ganha-pão da família há mais de 10 anos vai poder ser reconstruído. "Reformar vai ser difícil. Abriu embaixo e está todo destruído, só ficou ferro retorcido", conta Maria, que fazia os lanches enquanto o marido atingia os clientes.

Moradores trabalham na reconstrução no sul do país

Band Notí­cias

Ciclone procovou estragos em 193 cidades de SC e RS

Em Santa Catarina, 165 cidades foram afetadas pelo ciclone, onde pouco mais de 4.300 unidades habitacionais ou comerciais registraram danos. E quatro casas foram completamente destruídas. Do total, 4.059 moradias e 54 instalações comerciais foram danificadas. Além disso, 11 instituições de ensino apresentaram avarias. No relatório da Defesa Civil constam ainda estragos em 166 instalações rurais.

Em solo catarinense, nove pessoas morreram e outras nove ficaram feridas. Duas pessoas seguem desaparecidas em Tijucas e Brusque. Segundo a Defesa Civil, há 25 desabrigados - que foram realocados em abrigos - e 193 desalojados, que se acomodaram na casa de parentes e amigos.

No Rio Grande do Sul, mais de 2.300 edificações foram danificadas pelo ciclone em 28 cidades. Hoje, 680 pessoas seguem fora de casa - uma queda de 70% em relação a ontem, quando 2.311 pessoas estavam em abrigos ou na casa de parentes. Dos 680 de hoje, há 38 desabrigados que estão no ginásio municipal de São Sebastião do Caí devido a uma inundação provocada pelo ciclone. A previsão é de retorno ainda hoje para suas residências. Na cidade, 100 cobertores foram entregues à população afetada.

A maior parte dos desalojados é de Vacaria, no Norte do Estado. Na cidade 520 pessoas estão nesta condição após a tempestade danificar 130 moradias.

Cotidiano