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Caso naja: 'há uma rede grande de tráfico de animais', diz PM afastado

A cobra naja criada ilegalmente por Pedro Henrique Krambeck - Arquivo pessoal / Facebook
A cobra naja criada ilegalmente por Pedro Henrique Krambeck Imagem: Arquivo pessoal / Facebook

Do UOL, em São Paulo

07/08/2020 17h07

O major Joaquim Elias Costa Paulino, ex-comandante do PMDF (Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Distrito Federal), foi afastado ontem do cargo por suspeita de atrapalhar na investigação referente a crimes ambientais no Distrito Federal. Ele afirmou que foi usado como 'bode expiatório'.

A investigação teve início após o caso de Pedro Henrique Krambeck, estudante de veterinária que acabou picado por uma cobra naja que criava. Krambeck chegou a ficar em coma e se recuperou, sendo posteriormente preso pela Polícia Civil do Distrito Federal. Ele é suspeito de integrar um esquema para a prática de crimes ambientais, como tráfico internacional de animais, e acabou solto no dia 31 de julho.

"Fiz o meu trabalho. Eu sei que por trás disso há uma rede grande de tráfico de animais, que atua não só no Brasil. Há pessoas poderosas envolvidas", disse o major Paulino, em entrevista publicada hoje pelo site Metrópoles.

"Eu representava uma ameaça porque cumpria o meu dever. Apreendi mais de 10 cobras e ia continuar apreendendo. Tentaram me atingir achando que eu era a parte mais fraca, mas a verdade vai aparecer e eles vão descobrir que miraram no mais forte", acrescentou.

Transferido para o Departamento Operacional (DOp), Paulino apontou também que as cobras apreendidas com Krambeck caracterizavam tráfico de animais.

"Eram vários exemplares. Tinha serpente repetida, não é coisa de colecionador, caracteriza comércio ilegal", disse o major, citando também que o padrasto do jovem, que é oficial da Polícia Militar (PM), não sofreu sanção pela organização.

"Quando você convive com seus irmãos, sabe dos gostos e do caráter deles. Será que ninguém sabia que o rapaz criava mais de 10 cobras em casa? Incluindo uma naja que, particularmente, eu nunca tinha visto aqui no Brasil nem nos países que já visitei", questionou Paulino.

Na entrevista, o major ainda revelou que, no dia em que a naja foi apreendida, manteve contato com um amigo de Krambeck e as informações eram desencontradas.

"Passamos o dia inteiro rodando. Ele ligava e depois desligava o celular. Teve uma hora em que chegou a afirmar que estava tão desesperado que ia sumir com a cobra ou soltar o animal no mato", contou.

Krambeck criava a naja de forma ilegal no apartamento em que vivia com os pais. Ele foi preso temporariamente pela Polícia Civil em 29 de julho sob suspeita de integrar o esquema de tráfico de animais. O Ibama aplicou, para a família dele, multas que somam R$ 78 mil.

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