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Segurança pública

Agentes descobrem novo túnel em presídio de onde fugiram 75 membros do PCC

Agentes penitenciários encontram um novo túnel no presídio de Pedro Juan Caballero, de onde fugiram 75 membros do PCC em janeiro - Reprodução
Agentes penitenciários encontram um novo túnel no presídio de Pedro Juan Caballero, de onde fugiram 75 membros do PCC em janeiro Imagem: Reprodução

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

14/08/2020 12h04

Seis meses após uma fuga de 75 integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) do presídio de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, agentes encontraram um novo túnel naquela penitenciária que fora cavado visando outra fuga em massa. O túnel foi aberto no mesmo pavilhão de onde fugiram os presos em janeiro deste ano; a área é conhecida por abrigar os membros do PCC.

O presídio fica a sete quilômetros de distância da fronteira do Paraguai com Ponta Porã (MS), em uma região periférica da cidade.

Ontem, em uma inspeção de rotina, o diretor do presídio, Antonio Bazán, descobriu um buraco que foi aberto por internos da cela 27 no Pavilhão A "Alto". Segundo o Ministério da Justiça do país, a intenção dos presos era chegar ao banheiro da cela 14 do Pavilhão A "Baixo", para então conseguir escapar por um túnel que estava sendo cavado.

Jornais locais apontaram para um suposto motim e início de fuga que teriam sido debelados, mas as autoridades locais não confirmam a rebelião.

Os presos teriam estabelecido uma ligação entre as celas de Pascual Osvaldo Chávez, o "Pascualí", condenado por homicídio, e a cela em que estavam detidos Saduario Barboza e Felipe Pereira. Segundo o jornal ABC, Chávez tem antecedentes criminais no Brasil por tráfico de drogas e responde por homicídio e roubo a mão armada no Paraguai.

Assim que descobriram o túnel, os agentes penitenciários acionaram o Ministério Público. Segundo a promotora Camila Rojas, que foi ao local para averiguação na noite de ontem, o túnel para a fuga estava em construção.

"Seria um túnel de grande magnitude", disse Rojas ao ABC. O túnel tem cerca 60 centímetros de diâmetro e um metro de profundidade. Bombeiros foram até o local com tubos de oxigênio para investigar a passagem internamente.

O Ministério da Justiça elogiou o trabalho dos agentes penitenciários que descobriram o túnel; já o Ministério Público afirmou que vai convocar os agentes que trabalham naquele Pavilhão para prestar depoimento. Em janeiro, após a fuga em massa dos membros do PCC, o então diretor do presídio e outros 30 agentes carcerários foram detidos para prestar depoimentos ao MP.

A fuga do PCC

Na madrugada de 19 de janeiro, 75 homens fugiram do presídio de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, em uma ação que envolveu um túnel e até a saída de parte dos presos pela porta da frente. Ao menos 11 deles já foram recapturados.

Segundo o UOL apurou junto a policiais nacionais, o custo da fuga foi estimado em US$ 1,5 milhão (mais de R$ 6 milhões, na conversão da época), subdividido entre a propina que teria sido paga pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) a agentes penitenciários e valores gastos com a logística da fuga — escavação do túnel e transporte.

O ministro do Interior, Euclides Aceved, não descartou naquele momento um auxílio de agentes penitenciários para a fuga e também não negou que alguns dos presos possam ter saído pelo portão principal da prisão.

Na fronteira da cidade paraguaia com Ponta Porã (MS), após a fuga, três caminhonetes foram queimadas.

Ao todo, o governo paraguaio afirma que fugiram 40 brasileiros e 35 paraguaios. Um 36º preso paraguaio que tentou fugir foi pego ainda dentro de um túnel que ligava uma das celas até o lado de fora do presídio.

A saída desse túnel fica quase debaixo de uma guarita da muralha e entre outros dois postos de segurança. Mas nada disso impediu a fuga em massa.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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