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Testemunha de morte de pastor denuncia ataque a bomba: "Não vão me calar"

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) em sessão solene em homenagem ao Dia da Bíblia, em dezembro de 2018 - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) em sessão solene em homenagem ao Dia da Bíblia, em dezembro de 2018 Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

06/09/2020 12h55

Resumo da notícia

  • "Foi para me intimidar", diz vítima
  • Peritos da Polícia Civil do Rio foram ao local
  • Nora de Flordelis que depôs também revela ameaças

Uma das testemunhas ouvidas na investigação do assassinato do pastor Anderson do Carmo, morto a tiros em junho de 2019 na casa onde morava em Niterói, região metropolitana do Rio, disse ter sido vítima de um ataque a bomba, na madrugada de sexta-feira (4). A Polícia Civil fez perícia no local e investiga o caso.

Denunciada sob a acusação de ter sido mandante do crime, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), esposa de Anderson, só não foi presa porque tem imunidade parlamentar. Ela deve ser notificada na próxima terça-feira (8) pela Corregedoria da Câmara sobre o processo de investigação que pode culminar na cassação de seu mandato.

A empresária Regiane Rabello, de 40 anos, disse ao UOL que o ataque a bomba causou pânico entre os vizinhos no bairro Itaipuaçu, em Maricá, região metropolitana do Rio. "Meus vizinhos estão assustados. Nunca aconteceu esse tipo de coisa por aqui", relatou. Ela contou que já estava deitada quando ouviu a explosão e viu um clarão pela janela.

Quando ouvi, achei que o meu carro tivesse explodido na garagem. Era uma bomba caseira, que foi jogada na lateral da minha casa. Depois da explosão, os estilhaços ficaram pelo chão. A polícia já fez a perícia

Regiane Rabello, empresária, testemunha do caso e vítima de ataque a bomba

A empresária acredita que Flordelis estaria contando com a colaboração de outros filhos para intimidar testemunhas. "É uma família de criminosos. Foi uma tentativa de intimidação mesmo, para que eu recue. Mas o efeito foi outro, ganhei mais forças. Eles não vão me calar", disse.

Regiane tem uma relação de proximidade com Lucas Cézar dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis preso por suspeita de envolvimento no crime. "Ele se comunica comigo por carta. E está feliz pelo desfecho do caso. Acredita que a justiça está sendo feita".

Em nota, a defesa de Flordelis nega qualquer envolvimento da deputada com o ataque. "Todo crime deve ser investigado e todas as denúncias apuradas. É muito irresponsável fazer qualquer tipo de ilação atrás de atenção e sensacionalismo. Se houve, que a polícia investigue, apure e o responsável seja punido", diz.

Não foi o primeiro ataque a testemunhas do crime. Uma nora de Flordelis revelou preocupação com a segurança da família após depor contra a sogra. Ela afirmou ter sofrido ameaças e sido hostilizada por defensores da deputada nas redes sociais. "Tenho medo, não vou mentir", disse ao jornal "Extra".

Outros investigados pelo assassinato

Em paralelo, as investigações do assassinato ainda continuam. Após a prisão de sete filhos e uma neta da deputada, a Polícia Civil do Rio agora investiga a suspeita de participação de outras quatro pessoas próximas à família nos crimes que levaram ao assassinato de Anderson —um pastor, uma cozinheira, um motorista e uma neta.

A Flordelis só não está presa porque tem imunidade parlamentar. Mas acredito que o mandato será cassado, porque a conduta dela é incompatível com o decoro parlamentar. Ela é tão perigosa ou mais do que as pessoas que já foram presas. O crime só aconteceu por causa dela.
Delegado Allan Duarte, da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo

"A verdade prevalecerá", diz Flordelis

Anderson foi morto a tiros dentro de casa na madrugada de 16 de junho de 2019 em Niterói, região metropolitana do Rio. Cinco filhos e uma neta da parlamentar foram presos preventivamente por envolvimento no crime no dia 24 de agosto. Outros dois filhos — um biológico e outro adotivo — já se encontravam detidos após o assassinato. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas.

Na quarta-feira (2), em uma rede social, Flordelis afirmou que não mandou matar o seu marido e acredita que "a verdade prevalecerá". No texto publicado, acompanhado de uma imagem com uma mensagem bíblica, a pastora diz que a mídia tem veiculado o caso "das formas mais cruéis" e que ela está sendo "condenada sem nem ter direito a julgamento".

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