PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
1 mês
Marido de vítima de incêndio em Bonsucesso morreu no mesmo hospital

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

28/10/2020 12h07Atualizada em 28/10/2020 15h49

Núbia da Silva Rodrigues, 42, uma das três pacientes que morreram ontem no incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte do Rio, perdeu há um ano o marido, na mesma unidade de saúde, vítima de câncer. Núbia era técnica radiologista e deu entrada no hospital com 75% do pulmão comprometido em decorrência da covid-19.

Ela foi internada no dia 23 deste mês após tentar atendimentos nas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) da Penha, bairro onde morava, na zona norte do Rio, e de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Uma amiga dela, Elaine Pereira da Silva, 45, técnica de enfermagem, disse ao UOL que Núbia era como se fosse da família. A técnica radiologista perdera a mãe aos 9 anos de idade e, logo depois, o pai.

Núbia da Silva Rodrigues, 42, uma das pacientes que morreram no incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio - Reprodução/Redes sociais - Reprodução/Redes sociais
Núbia da Silva Rodrigues, uma das pacientes que morreram no incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Elaine descreveu a amiga como uma pessoa forte e feliz mesmo diante de tantas tragédias vividas.

"Ela era uma pessoa contagiante, alegre, mesmo tendo perdido os pais muito cedo. Quando os pais dela morreram, ela foi morar com uma tia e mesmo assim era uma pessoa para cima", relatou Elaine, amiga da vítima desde 2013. "Ano passado, perdeu o marido em Bonsucesso. Eles estavam juntos havia muito tempo."

Filho de Núbia, Patrick Machado disse ao UOL que quando soube do incêndio chegou a acreditar que ficaria tudo bem com a mãe dele.

"Eu tentei ficar calmo, sabia que os pacientes estavam sendo retirados e que seriam transferidos, mas depois fui informado que minha mãe não resistiu. Fui direto para o hospital", lamentou.

Patrick descreveu a mãe como uma pessoa de bom coração, que gostava de cuidar dos outros e viver a vida de forma alegre.

Peregrinação em busca de atendimento

Elaine contou que antes de ser internada no Hospital de Bonsucesso, Núbia fez uma peregrinação em busca de atendimento. Segundo a amiga, a técnica radiologista se queixou de sintomas como cansaço e falta de ar no último dia 22 e esperou 7 horas na UPA da Penha, sem conseguir ser atendida.

"Ela ficou de 8h às 15h na UPA da Penha e só passou pela triagem. Saiu sem atendimento. Ela foi para UPA de Mesquita, não fez exame de covid-19, mas saiu medicada. Mais tarde, voltou a se queixar de dores mais fortes. Foi quando eu disse a ela que precisava ir ao hospital."

No dia 23, Núbia foi internada no Hospital Federal de Bonsucesso.

"Morreu por descaso"

"Fiquei sem palavras quando vi a tomografia dela. Não sabia como estava se aguentando em pé e mesmo assim ela não apresentava medo. Ela foi entubada na segunda (26), estava sendo bem atendida. O tubo não é sentença de morte. Ela não morreu de covid. Ela nem teve chance de sobreviver à covid", disse amiga emocionada.

Ela não morreu para a covid. Ela morreu por descaso
Elaine Pereira da Silva, sobre a morte da amiga Núbia da Silva Rodrigues

De acordo ainda com Elaine, a amiga não tinha comorbidades e mantinha uma excelente alimentação.

Núbia sofreu uma parada cardíaca durante a transferência entre os prédios do hospital e não resistiu.

Além de Núbia, outras duas pessoas morreram ontem após pacientes serem transferidos do prédio 1 do hospital em decorrência do incêndio. A PF (Polícia Federal) será responsável pela perícia no local.

Cotidiano