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Mulher agride jovem em ataque homofóbico em padaria de SP

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

22/11/2020 10h06Atualizada em 23/11/2020 17h36

Uma pessoa foi agredida por uma mulher em um ataque homofóbico em uma padaria tradicional da Pompeia, na zona oeste de São Paulo. Vídeos que circulam em redes sociais mostram o incidente, na padaria Dona Deôla, quando a mulher faz ofensas, dá tapas e lhe arremessa objetos. A agressora, uma advogada de 45 anos, foi presa em flagrante, segundo informações da Secretaria de Segurança, indiciada por lesão corporal, injúria e homofobia.

O caso aconteceu na sexta-feira (20). Em uma das falas homofóbicas, a mulher diz a um funcionário, que tentava acalmar a situação: "Eu não estou falando porra nenhuma. Isso aqui é uma padaria gay?". Ela também foi acusada de declarações transfóbicas e racistas pelos envolvidos.

A mulher ainda é vista dando tapas na vítima, tentando pegá-la pelos cabelos.

mulher - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Mulher agride jovem em São Paulo em ataque homofóbico
Imagem: Reprodução/Instagram

Segundo a assessoria de imprensa da padaria Dona Deôla, o caso começou quando uma cliente, identificada como Lidiane Biezok, chegou ao local. Ela estava aparentemente alterada e destratou funcionários, além de jogar objetos no chão.

Duas pessoas que estavam juntas, Kleiton e Boni - que é visto no vídeo tendo os cabelos puxados -, buscaram intervir na situação e passaram a ser atacados.

Ainda de acordo com a assessoria, o gerente chamou a polícia, que chegou minutos depois ao local, encaminhando os envolvidos à delegacia, onde boletins de ocorrência foram registrados por funcionários e pela dupla que foi vítima do ataque homofóbico.

dona - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Padaria Dona Deôla se pronuncia sobre incidente
Imagem: Reprodução/Instagram

A padaria disse repudiar e lamentar o ato e afirmou que se colocou à disposição das vítimas para o desenrolar do caso.

Nos stories de seu Instagram, Kelton reclama que, mesmo com a polícia, a mulher ainda tem permissão para ficar no estabelecimento. "Ninguém faz nada. Ela já agrediu, desmoralizou, foi racista, transfóbica, homofóbica e ainda consegue entrar no estabelecimento. Ela não tá normal, ela não está respeitando ninguém aqui".

A reportagem mandou mensagem para Lidiane, Kleiton e Boni, mas ainda não teve retorno.

Veja a nota da Secretaria de Segurança de São Paulo sobre o caso:

Uma advogada, de 45 anos, foi presa em flagrante por lesão corporal, injúria e homofobia praticada contra dois artistas, ambos de 24 anos, na noite de sexta-feira (20), por volta das 21h, em uma padaria na Avenida Pompéia, no bairro Perdizes, zona oeste da Capital.

Policiais militares foram acionados para atenderem a uma ocorrência de desinteligência e no endereço indicado, um estabelecimento comercial, encontraram as partes.

De acordo com as vítimas, elas haviam ido até a padaria para jantar e em determinado momento, observaram que a autora estava discutindo com uma funcionária.

Os artistas passaram a filmar a confusão e disseram que a advogada não poderia falar com a mulher daquela forma. A indiciada então passou a ofendê-los com afirmações de cunho homofóbico e ofensas raciais e chegou a agredir e arremessar um objeto contra a cabeça de um deles.

O caso foi registrado pelo 91º Distrito Policial (Ceasa).

OAB desconhece cadastro

Apesar de se apresentar como "advogada internacional", Lidiane não tem qualquer registro válido na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e seu nome não consta no Cadastro Nacional de Advogados.

Procurada pelo UOL, a OAB-SP confirmou em nota que Lidiane "não consta no sistema de cadastro da entidade, tampouco do Cadastro Nacional de Advogados (CNA), mantido pelo Conselho Federal da OAB, que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os advogados do Brasil".

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