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Cotidiano

Segurança do Carrefour pressionou por 4 min costas de cliente até a morte

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

22/11/2020 12h10

O segurança do Carrefour em Porto Alegre pressionou por quatro minutos as costas de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, enquanto ele estava no chão, vindo a óbito. Laudo preliminar já apontou que a causa da morte foi asfixia. O caso aconteceu na noite da última quinta-feira (19) na zona norte da cidade.

UOL teve acesso a mais um trecho de imagens de câmeras de segurança. Ontem, a reportagem obteve a gravação do momento em que Beto estava com a esposa no caixa do supermercado, antes de começar as agressões.

O registro de agora foi feito por uma câmera do estacionamento, que fica no piso inferior do estabelecimento. A gravação tem pouco mais de cinco minutos - a maior parte dela mostra a imobilização com uso da perna flexionada do segurança sobre as costas de Beto. O uso da "técnica" pode ter se estendido por mais tempo além dos 4 minutos, já que o vídeo foi cortado.

Nos Estados Unidos, George Floyd foi mantido por 7 minutos e 46 segundos com o joelho do policial sobre o pescoço dele, segundo os promotores de Minnesota.

Neste novo vídeo, Beto aparece sendo acompanhado pelo segurança e pelo PM temporário. Antes de sair pela porta em direção ao estacionamento, o cliente dá um soco no policial que, acompanhado do outro homem, partem para cima dele. Uma funcionária, que é fiscal da loja, vem logo atrás, mas não intervém.

Beto com a atual esposa e a enteada - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
João Alberto Silveira Freitas e a esposa, Milena Borges Alves (e); ele foi espancado em uma loja do Carrefour em Porto Alegre e morreu
Imagem: Arquivo pessoal

Beto chega a cair no chão, mas consegue se reerguer. Em seguida, o segurança dá quatro chutes nas pernas dele, que se mantém de pé. Por isso, o PM temporário segura Beto pelas pernas, ergue-o a alguns centímetros do chão, fazendo o cair no com o rosto no chão.

O PM desfere vários socos em Beto, enquanto o segurança tenta segurar o cliente. Logo após, o profissional do Carrefour passa também a golpear Beto na lateral direita das costas. Neste meio tempo, o PM temporário dá um chute na cabeça do cliente.

Quando as agressões da dupla iniciaram, um homem passa ao fundo e fica olhando o que está acontecendo - sem intervir. Um outro cliente, de bermuda, sai do interior do mercado e tenta apaziguar, mas é afastado pela fiscal da loja. Neste momento, outros dois funcionários chegam correndo ao local - um deles está de paletó. A polícia tenta identificar esse homem e o cliente de bermuda para esclarecer o caso.

Mesmo com a presença de mais pessoas, o segurança dá mais um soco na lateral do corpo de Beto. Em seguida, o homem de paletó também força o joelho nas costas do cliente que está deitado no chão, de bruços. Neste momento, ao menos quatro pessoas aparecem assistindo à cena.

Segundos depois, a esposa chega ao local. Um outro segurança puxou-a pelo braço, na intenção de afastá-la do local. Um entregador de comida começa a gravar as agressões, porém 18 segundos três funcionários do Carrefour - entre elas a fiscal da loja e o funcionário de paletó, vão na direção dele, com a clara intenção de evitar que fizessem o registro.

Enquanto isso, a esposa de Beto tenta tirar o marido do lugar, mas é afastada por dois funcionários - um deles chega a empurrá-la com a lateral do corpo. Sem sucesso, ela pega o carrinho que estava abandonado próximo da porta e vai para outro ponto do estacionamento. Neste momento, dez pessoas observam Beto se debatendo no chão enquanto é imobilizado. O número de "espectadores" que aparecem nas imagens chega a 14 pessoas segundos depois.

É possível perceber que, pouco mais de 4 minutos após o início do vídeo, Beto para de mexer as pernas, um sinal de que não estaria mais respirando.

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