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Conteúdo publicado há
1 mês
Quem é quem no caso que terminou com a morte de João Freitas no Carrefour

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/11/2020 16h00Atualizada em 23/11/2020 18h50

A morte de João Alberto Silveira Freitas após ser espancado por dois seguranças de uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, continua sendo investigada pela Polícia Civil. Os agressores estão presos.

À medida que as investigações avançam, novos personagens surgem na história. O UOL organizou os principais. Entenda quem é quem no caso:

João Alberto Silveira Freitas, a vítima

Beto foi com a companheira Milena (à esq.) ao Carrefour - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Beto foi com a companheira Milena (à esq.) ao Carrefour
Imagem: Arquivo pessoal

Beto, 40, como era conhecido pelos amigos, foi o cliente negro vítima do espancamento. Ele estava fazendo compras com sua companheira, Milena Borges Alves, no Carrefour, quando se envolveu numa confusão com dois seguranças contratados de uma empresa terceirizada, a Vector.

Antes da agressão, câmeras de segurança mostram Beto se dirigindo a uma funcionária do supermercado e fazendo sinais com a mão, enquanto ela se afasta dele. Depois, Beto é acompanhado pelos dois seguranças e uma agente de fiscalização da unidade para ser retirado do estabelecimento.

Na porta do estabelecimento, ele desfere um soco no rosto de um dos agentes e o espancamento tem início.

Um vídeo, gravado por uma testemunha da ação, mostra Beto já caído e imobilizado pelos seguranças enquanto há muito sangue no chão. Um dos agentes fica em cima dele com o joelho nas costas. Beto chegou a ser atendido, mas morreu no local. A causa da morte, segundo a necropsia, foi asfixia.

Milena, a companheira

Beto e Milena, que viu o companheiro ser espancado - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Beto e Milena, que viu o companheiro ser espancado
Imagem: Arquivo pessoal

Companheira de Beto, Milena, 43, estava com ele no supermercado quando a confusão teve início. Eles chegaram juntos para fazer compras, mas, enquanto ele era retirado do supermercado em direção ao estacionamento, ela ficou passando as compras no caixa.

Câmeras de segurança mostram Milena chegando ao estacionamento e encontrando o Beto deitado no chão sendo espancado. Ela ainda tenta separar a briga, mas é impedida por funcionários do Carrefour.

Funcionária de preto

Beto se aproxima de uma fiscal de roupa preta perto dos caixas - Reprodução/ TV Globo - Reprodução/ TV Globo
Beto se aproxima de uma fiscal de roupa preta perto dos caixas
Imagem: Reprodução/ TV Globo

Ela é uma fiscal que, nas imagens, aparece com uma roupa preta e foi abordada por Beto perto dos caixas. No vídeo de câmeras de segurança, Beto aparece indo em direção à fiscal e gesticulando. Ela se esquiva e se afasta.

Em depoimento à polícia, ela disse que Beto a encarava, que "parecia estar furioso com alguma coisa" e não "aparentava estar fazendo uma brincadeira". A mulher não teve a identificação divulgada.

Ela afirmou ainda à polícia que não conhecia Beto e não sabia o motivo da atitude dele. A funcionária relatou que permaneceu nos caixas e só viu que o cliente havia morrido quando foi chamada para ir até a entrada da loja. Ao chegar lá, os paramédicos já estavam fazendo os primeiros socorros em Beto.

Magno Braz Borges, segurança

Magno Braz Borges, segurança que participou das agressões a Beto - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Magno Braz Borges, segurança que participou das agressões a Beto
Imagem: Reprodução/TV Globo

Contratado da empresa Vector, Magno Braz Borges é um dos seguranças que prestava serviços no estabelecimento e que, junto com Giovane Gaspar da Silva, espancou Beto. Magno foi o primeiro a abordar o cliente, quando ele gesticulou em direção à fiscal perto dos caixa, momentos antes da confusão.

Nas imagens da agressão, Magno aparece com o joelho nas costas de Beto. Ele está preso acusado de homicídio triplamente qualificado. A defesa de Magno ainda não se manifestou publicamente.

Giovane Gaspar da Silva, segurança e policial

Giovane Gaspar da Silva, segurança e policial - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Giovane Gaspar da Silva, segurança e policial que participou das agressões
Imagem: Reprodução/TV Globo

Giovane Gaspar da Silva é o segundo segurança que espancou Beto, também contratado pela empresa Vector. Giovane é policial militar temporário e cumpria seu primeiro dia de trabalho no supermercado Carrefour.

Ele aparece dando apoio a Magno para retirar Beto do supermercado. Chegando próximo a porta do estacionamento, Giovane leva um soco na cara de Beto e revida a agressão, dando início à sessão de espancamento.

A defesa de Giovane disse que a agressão não tinha como intuito matar Beto e negou que o cliente tenha sido motivado por racismo.

Em nota, o grupo Vector disse que rescindiu o contrato com Magno e Giovane por justa causa e que está à disposição da polícia para colaborar com as investigações.

Adriana Alves Dutra, agente de fiscalização

Adriana Alves Dutra tenta impedir a gravação - Reprodução - Reprodução
Adriana Alves Dutra tenta impedir a gravação
Imagem: Reprodução

Agente de fiscalização do supermercado, Adriana Alves Dutra é a mulher que aparece nos vídeos com uma camisa branca acompanhando Magno e Geovani enquanto eles levam Beto para o estacionamento do supermercado. No momento do espancamento, ela foi filmada também gravando a cena com um celular.

Quando o entregador que filmava as agressões se aproxima, ela tenta impedir a filmagem e diz a ele: "Não faz isso que eu vou te queimar na loja."

Ela prestou depoimento à polícia e disse que a colega — a fiscal de preto — relatou para ela que o cliente teria tido atrito com outros funcionários em outras ocasiões, o que não bate com a versão da colega.

O entregador

O primeiro vídeo do caso de João Alberto que viralizou nas redes sociais foi gravado por um entregador que testemunhou a ação.

Em entrevista ao Fantástico, ele, que pediu para não ser identificado, disse que a fiscal de camisa branca tentou impedi-lo de gravar a agressão e chegou a ameaçá-lo. Ele já prestou depoimento à Polícia Civil no mesmo dia do crime.

O entregador disse que não tentou parar o espancamento porque ficou com medo se ser agredido também e que imaginou que, ao gravar, os seguranças parariam.

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