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Conteúdo publicado há
1 mês

Futuros padres, gêmeos já foram confundidos em missas e trocaram de lugar

Emerson e Henrique Aguiar, 31 anos, serão ordenados padres em dezembro - Acervo pessoal
Emerson e Henrique Aguiar, 31 anos, serão ordenados padres em dezembro Imagem: Acervo pessoal

Diogo Cavalcante

Colaboração para o UOL, no Recife

26/11/2020 12h32

Emerson e Henrique Aguiar são irmãos gêmeos univitelinos de 31 anos. Além de carregarem semelhanças no comportamento, no tom de voz e na imagem, terão mais um ponto em comum no próximo dia 11 de dezembro: serão ordenados padres.

Atualmente diáconos saletinos da Igreja Católica, ambos nutrem desde a infância o desejo de seguir a vida religiosa. Nascidos em Camaragibe (PE), na região metropolitana do Recife, os rapazes colecionam episódios curiosos, como troca de identidade em celebração e recorrentes confusões de identidade entre fiéis.

"Até nossa mãe, até hoje, às vezes, confunde a gente", brinca Henrique. "Sempre fomos confundidos, seja no ambiente familiar, escolar ou eclesial. É muito comum, mas a gente não se chateia com isso", garante Emerson.

Os dois entraram no seminário aos 18 anos, mas aos 12 já participavam de ações na igreja, como coroinhas. Na infância, a brincadeira preferida de Henrique era a de celebrar missa.

"Trazia os folhetos da igreja para casa e fazia", conta ele, que avalia, de certa forma, ter sido uma espécie de "influenciador vocacional" para o irmão.

"A vontade é sempre de Deus, não nossa. A gente responde à vontade dele. Mas, claro, outros fatores influenciam na decisão: catequese, grupo de coroinhas, amizade. Nossa infância e adolescência foram normais, como a de qualquer pessoa", acrescenta Emerson.

Troca de lugares

Emerson e Henrique - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Henrique (à esquerda) já realizou celebração no lugar de Emerson (à direita): "Ele estava meio inseguro, acho"
Imagem: Acervo pessoal

Como são gêmeos univitelinos, em uma ocasião chegaram a trocar de lugar em uma celebração sem ninguém perceber.

"Fui convidado para uma celebração em uma comunidade de Camaragibe e pedi a meu irmão para ir no meu lugar", relata Emerson.

Henrique, no entanto, contemporiza a situação curiosa. "Ele estava meio inseguro, acho. E fui presidir no lugar dele. Mas ele estava lá, sentado junto do povo, acompanhando tudo", diz.

Apesar de nascidos em Pernambuco, cada um precisou ir para lugares diferentes do Brasil para seguir a vida religiosa. Atualmente, Henrique é diácono da Paróquia São Benedito, no distrito de Serra Grande, em Valença (BA). Já Emerson está no Santuário de Nossa Senhora da Salette, em Marcelino Ramos (RS).

"A vida religiosa, desde o início, é itinerante. Deus escolhe onde você deve estar", pontua Emerson.

A ordenação está prevista para o dia 11, na Igreja Matriz de São Pio X, em Camaragibe. Para o futuro, cada um tem um plano.

"Eu espero fazer uma boa missão, um bom ministério. Sempre para ajudar as pessoas, nunca para promoção pessoal", afirma Emerson.

Já Henrique pretende aprofundar os estudos. "Espero realizar efetivamente a missão de ser sacerdote. Mas, depois, quero fazer uma especialização, um mestrado nas áreas de teologia, que são muitas: sagrada escritura, moral, direito canônico. Não quero parar de estudar", conclui.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, os diáconos não celebram missas. A informação foi corrigida.

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