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Fragmentos de bala são encontrados no corpo de uma das primas mortas no RJ

Emily Victória Silva dos Santos, 4, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, 7, brincavam no portão de casa quando foram baleadas - Arquivo Pessoal
Emily Victória Silva dos Santos, 4, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, 7, brincavam no portão de casa quando foram baleadas Imagem: Arquivo Pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

09/12/2020 09h32Atualizada em 09/12/2020 21h19

A Polícia Civil encontrou fragmentos de bala no corpo de uma das meninas mortas na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O material vai ser encaminhado para perícia e, com ele, espera-se definir o tipo de projétil que atingiu a criança. As armas dos PMs, cinco fuzis e cinco pistolas, já haviam sido apreendidas para exame de confronto balístico.

As primas Emily e Rebeca, de 4 e 7 anos respectivamente, foram mortas na sexta-feira (4), na calçada de casa, na comunidade do Barro Vermelho, em Gramacho.

De acordo com o advogado da família, Rodrigo Mondego, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB /RJ, testemunhas e a posição dos policiais no momento que as duas meninas foram atingidas podem ajudar a esclarecer o caso.

"Com esse fragmento dá para saber qual tipo de arma usada. Pelo impacto na criança, há suspeita de que seja um tiro de fuzil. A posição dos policiais é uma pista importante para confirmar o caminho do tiro. Um problema é que não houve perícia de local. A polícia poderia ter encontrado outros fragmentos de bala, já que testemunhas ouviram de 4 a 6 tiros na região", disse o advogado na manhã de hoje ao UOL.

A PM informou que a guarnição negou ter efetuado disparos. Porém a avó de Rebeca e tia de Emily, Lídia da Silva Moreira Santos, voltou a negar a versão da PM e afirmou que viu os policiais atirarem da viatura em direção à rua. Segundo ela, não houve confronto com criminosos na região.

"É revoltante ver a PM [Polícia Militar] falar que eles não atiraram. Se fosse bandido, eu afirmaria o que houve. A polícia parou e atirou. Quem tinha que proteger, matou. Eu sei o que eu vi. Geralmente na minha rua, que é principal, não acontece essas coisas. Se tivesse tiro, não deixariam elas na rua. Estamos ansiosos por Justiça", reafirmou Lídia na manhã de hoje.

A Polícia Civil informou que não descarta a possibilidade de uma reprodução simulada no local onde ocorreram as mortes das primas. De acordo com os agentes, ainda não é possível concluir o caso com as informações colhidas até o momento.

Hoje a tarde, três policiais militares envolvidos no caso prestaram depoimento. Os PMs confirmaram as versões dadas por outros dois policiais que foram ouvidos no último sábado. Os agentes sustentam a versão de que não realizaram disparos, diferente do que testemunhas e a família das meninas alegam. Ao todo, a Polícia Civil já ouviu 12 pessoas envolvidas no caso.

Caso será encaminhado à ONU

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), Renata Souza, afirmou que irá levar o caso das mortes para a ONU (Organização das Nações Unidas).

Parentes das crianças já se encontraram com a deputada e também com o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, que ouviu cobranças dos familiares.

De acordo com dados da ONG Rio de Paz, somente neste ano de 2020, 12 crianças morreram vítimas de balas perdidas. Desde 2007, são 79 crianças assassinadas no estado.

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