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Criança ganha cateterismo após pedir procedimento em cartinha ao Papai Noel

Arilene Fontinele e a filha, Maria Júlia; menina teve cardiopatia diagnosticada ainda na gestação - Acervo pessoal
Arilene Fontinele e a filha, Maria Júlia; menina teve cardiopatia diagnosticada ainda na gestação Imagem: Acervo pessoal

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

14/12/2020 12h03

O Papai Noel chegou mais cedo para uma moradora da Cidade Ocidental, no entorno do Distrito Federal. A pequena Maria Júlia Fontinele, de 11 anos, recebeu na última semana semana o presente que pediu ao bom velhinho: um cateterismo. Após escrever uma carta para o Papai Noel pedindo pelo procedimento médico, ela, enfim, foi internada em um hospital particular para dar início ao procedimento.

A menina tem uma cardiopatia grave conhecida como síndrome do "meio coração", já passou por oito cirurgias e há três meses esperava pelo procedimento médico no SUS. Internada no Hospital da Criança, em Goiânia, desde o sábado (12), ela está fazendo os exames necessários para poder fazer o procedimento amanhã.

"Ela está fazendo todos os exames preparatórios. Já fez raio-x, exame de sangue e hoje fará um ecocardiograma e mais um exame de sangue para ver como está a sua coagulação. Se tudo der certo amanhã já faremos o cateterismo", explica a mãe da menina, Arilene Fontinele.

Ainda segundo a mãe, o procedimento que custa em torno de R$ 150 mil na rede particular foi doado pelo hospital depois que a instituição ficou sabendo do caso de Maria Júlia.

O procedimento é necessário para que os médicos possam avaliar a doença da menina e indicar o melhor tratamento para ela. Não há, por enquanto, previsão de quanto tempo Maria Júlia precisará ficar internada.

Carta ao Papai Noel

Na semana passada, uma cartinha escrita pela menina pedindo como presente de Natal o procedimento médico viralizou nas redes sociais.

"Já fomos muitas vezes em Goiânia fazer o cateterismo, mas já tem mais de três meses que estamos esperando ele sair. Este Natal, meu presente seria esse cateterismo para eu parar de inchar e minhas roupas voltarem a servir", diz trecho da carta escrita pela menina.

O papel escrito a mão foi feito na terça-feira e deixado na árvore de Natal que enfeita a sala da casa da família. O pedido surpreendeu até mesmo a mãe da garota.

"Todos os anos montamos a árvore de Natal e a Maria Julia faz uma cartinha com o pedido de seu presente. Na semana passada, quando cheguei do trabalho, vi que ela havia deixado o pedido deste ano. Quando vi que o que ela queria era o cateterismo meu coração partiu e me senti muito impotente", lembra a mãe.

Surpresa com o pedido, Arilene compartilhou a carta com uma amiga. Sensibilizada com a situação a amiga, pediu permissão para divulgar a carta em um grupo de WhatsApp formado por mães com filhos cardiopatas.

"A carta viralizou entre as mães e ganhou uma proporção que jamais imaginávamos. Até que chegou aos médicos do hospital que ofereceram o procedimento para ela", conta Arilene.

Busca por tratamento médico

Sem tratamento médico adequado em sua cidade, mãe e filha viajam todas as semanas para Goiânia, a cerca de 200 km, em busca de atendimento.

A família aguarda desde setembro pelo cateterismo. A cardiopatia de Maria Júlia chamada de Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE), também conhecida como "meio coração", e é considerada grave.

"Neste ano, algumas partes do corpo da Maria Júlia, como a barriga, os braços e as pernas, começaram a apresentar um inchaço. O cateterismo é necessário para que os médicos possam avaliar o que pode estar acontecendo e a partir daí sugerir um tratamento", explica Arilene.

A mãe explica que a cardiopatia da filha foi descoberta aos seis meses de gestação. Desde então, elas batalham para que a menina tenha uma boa qualidade de vida.

"Os primeiros médicos chegaram a dizer que essa cardiopatia era incompatível com a vida. Com três dias de vida, a Maria Júlia fez a primeira cirurgia; com um mês, fez outra; aos dois meses, mais uma, e assim tem sido. Sempre estamos lutando por ela e para que ela tenha uma vida mais próxima do normal", explica a mãe.

"Como ela tem apenas metade do coração, ela cansa muito rápido, tem perda de proteína nas fezes, fica extremamente inchada, a imunidade dela é muito baixa e corre o risco grande de ter que partir para um transplante cardíaco", explica Arilene.

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