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Mulher agradece solidariedade 'tardia' após web resgatar pedido de ajuda

Tarciana Alves há dois pedia emprego no farol em Jaboatão dos Guararapes (PE)  - Reprodução
Tarciana Alves há dois pedia emprego no farol em Jaboatão dos Guararapes (PE) Imagem: Reprodução

Diogo Cavalcante

Colaboração para o UOL, no Recife

28/01/2021 07h17

Viralizou nas redes sociais a imagem de uma mulher pedindo emprego em um sinal de trânsito em Pernambuco. A cena foi registrada na cidade de Jaboatão dos Guararapes (PE) e a moça da foto chama-se Tarciana Alves, 25. Mas tem um detalhe: o flagrante aconteceu há dois anos, quando a jovem estava desempregada.

Atualmente trabalhando em uma cafeteria do Aeroporto do Recife, ela se sente grata pela empatia das pessoas, mas não entende como a imagem voltou a repercutir tanto tempo depois.

"Foi tudo do nada. Comecei a receber um monte de mensagem. Do nada voltou a história, perfis famosos repostando, o pessoal falando comigo, super me apoiando, dizendo para eu ir em empresa tal para fazer uma seleção de emprego. Eu agradeço de verdade o carinho, mas essa imagem é antiga", conta, em conversa com o UOL.

"Isso me trouxe a memória de tudo que vivi, sofri e superei, né? E estou muito feliz hoje, que estou trabalhando. Poderia estar numa situação muito pior que aquela da época", acrescenta.

Quando fez o apelo, há dois anos, Tarciana estava em uma situação crítica.

"Eu vivia com minha mãe e ela perdeu a casa onde morava. Ela foi morar em outro lugar e eu fui morar de favor em um apartamento que estava desocupado. A dona deixou eu ficar, mas eu não conseguia arrumar emprego e, depois de um ano, ela achou que eu estava acomodada ficando ali e me mandou embora com minhas filhas. Cheguei a morar na rua por um tempo", recorda.

Foi nessa época limítrofe, morando na rua, que ela fez a placa pedindo emprego, que viralizou na internet. O cenário foi um semáforo perto de um supermercado no bairro de Prazeres, em Jaboatão. Mas o retorno não foi tão imediato assim, na época.

"Eu fiquei meses no sinal e não tive retorno. Continuei na rua. Até que minha história foi compartilhada em um grupo de uma igreja e uma das pessoas que faziam parte me chamou para trabalhar na empresa que estou hoje", relata.

Ela se tornou atendente em uma cafeteria do Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife. Nesse período de dois anos, se casou e conseguiu uma certa estabilidade para cuidar de suas filhas: Maria Jullya, 4, e Amora, 7.

"Moro de aluguel, mas graças a Deus tenho meu emprego. Para algumas pessoas, isso pode não ser nada. Mas, para mim, foi o que devolveu a minha dignidade".

Moradora do Alto José Bonifácio, em Casa Amarela, na Zona Norte da capital, ela agradece a corrente de solidariedade.

"Já vivi muito o que existe de ruim na vida, mas poderia estar muito pior. Poderia estar vivendo na rua até hoje. Por isso eu só agradeço a cada um que compartilhou minha história. A cada um que acreditou, que confiou em mim. À empresa que me deu uma oportunidade. Porque não é todo mundo que confia. Por isso agradeço todo esse amor e carinho, Mas esclareço: a imagem é antiga e hoje estou bem", finaliza.

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