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Casal desaparece depois de mergulho em rio revolto no litoral de SP

Família admite não ter esperanças de encontrar Jussara Xavier Raimundo e Florisvaldo Neto Xavier com vida - Reprodução
Família admite não ter esperanças de encontrar Jussara Xavier Raimundo e Florisvaldo Neto Xavier com vida Imagem: Reprodução

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

22/02/2021 13h20Atualizada em 22/02/2021 18h14

Uma brincadeira arriscada culminou no desaparecimento de um casal nas águas do rio Perequê, que fica dentro do Parque Ecológico Cotia Pará, em Cubatão, litoral de São Paulo. O incidente teria sido protagonizado ontem por um vigilante que aproveitava o primeiro domingo de férias com a esposa e parentes em uma churrascada às margens do rio. No entanto, uma cabeça d'água, fenômeno natural provocado por fortes chuvas, colocou um fim à diversão.

Jussara Xavier Raimundo e Florisvaldo Neto Xavier estavam curtindo o primeiro final de semana das férias com os três filhos e alguns parentes no domingo (21), às margens do rio Perequê, local que costumavam frequentar há muitos anos. A diversão incluía churrasqueira portátil e geladeiras térmicas repletas de cerveja.

"No sábado (20), ele estava muito contente, muito feliz, me mostrando fotos da esposa e dos filhos", contou a colega de Xavier, Karla Caldeira, que vende alimentos na porta de uma conhecida empresa de navegação na cidade de Santos, onde trabalhava o vigilante. "Ele não comentou que iria para o parque ecológico no domingo. Fiquei sabendo da tragédia na madrugada de hoje."

"Ele estava louco para sair de férias e esse local do parque ecológico em Cubatão era o nosso lugar preferido de descanso, nossas famílias frequentam há anos. Nunca pensamos que pudesse ser perigoso. Muito menos que o passeio deste domingo fosse terminar em tragédia", reforçou ao UOL o tio do rapaz, Marcelo dos Santos, também vigilante.

Prima de Xavier, Maria Adriana da Cruz Fogaça, estava no churrasco promovido pelo vigilante e pela esposa às margens do rio. O local escolhido, era um trecho onde as águas costumam ser rasas, raramente passando da cintura em seu ponto mais fundo. Tudo para garantir a segurança das crianças do casal — Ana Carla, 10 anos; Samuel, 8; e Joe, de 2 anos.

Brincadeira arriscada

Após o almoço, por volta das 14h30, uma chuva forte desabou em Cubatão, incluindo a área onde estava a família, o que fez com que o nível do rio começasse a subir, tornando as águas revoltas. Por volta das 16h, a chuva havia parado e o grupo começou a reunir as coisas para deixar o local.

"Foi quando o Neto (Xavier) resolveu mergulhar uma última vez", contou Maria Adriana. "Nós falamos para ele não ir. Mas ele insistiu e começou até a brincar com a violência do rio, sabe? Achando que não ia acontecer nada. De repente, a gente viu que ele foi puxado com força pela correnteza e desapareceu. Daí a Jussara me entregou o Joe para eu segurar e pulou atrás dele. A gente gritando para ela não ir também, mas ela queria salvar o marido. Quando ela começou a se afogar também, pegamos um galho comprido pra ela se agarrar, mas ela não tinha mais força. E desapareceu também."

Os filhos do casal assistiram à cena, achando que o pai estava brincando. Ana Carla, a mais velha, foi a primeira a entender o que acontecia, e desatou a chorar. Mas Samuel, segundo conta Adriana, ficou insistindo na história de que o pai estava brincando e ia aparecer a qualquer hora.

No momento, as crianças estão sendo cuidadas pela avó materna. "A gente avisou ele. Mas você sabe, todo mundo se divertindo, bebendo muita cerveja... Acho que ele não estava pensando bem no que estava fazendo", conclui Maria Adriana.

Bombeiros realizam buscas

Acionados por Maria Adriana, ao chegarem ao local no final da tarde de ontem, membros do Corpo de Bombeiros informaram à família que não havia condições de realizar buscas por conta da violência das águas do rio. Segundo informaram, as águas se tornaram revoltas por conta de um fenômeno meteorológico chamado cabeça d'água, que provoca um aumento repentino e momentâneo do nível da água em rios. Ele ocorre quando uma grande quantidade de chuva cai em partes superiores de uma cachoeira ou ao longo do curso d'água.

Hoje pela manhã, Marcelo dos Santos, tio de Xavier, acompanhou os trabalhos de busca ao longo das margens do rio Perequê, mas nada foi encontrado. À tarde, as buscas seriam retomadas de barco, nas partes mais baixas do curso do rio. "Mas não temos mais esperança de encontrá-los com vida", lamentou.

O UOL entrou em contato com a prefeitura de Cubatão e o Corpo de Bombeiros, em busca de mais informações. O secretário de Meio Ambiente da cidade, Halan Clemente, lamentou o ocorrido e informou que o local do acidente é uma barragem para captação de água pelas indústrias.

"A barragem localiza-se fora da área do parque municipal, ao longo da estrada de servidão", explicou, destacando que os parques municipais estão fechados por conta do Decreto Municipal que regula as atividades em razão da pandemia do coronavírus.

O Corpo de Bombeiros também foi acionado pela reportagem, mas não respondeu aos questionamentos. .

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