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Supostos vacinados em BH não têm anticorpos contra covid-19, diz polícia

Polícia Federal investiga vacinação irregular em Belo Horizonte - Divulgação/Polícia Federal
Polícia Federal investiga vacinação irregular em Belo Horizonte Imagem: Divulgação/Polícia Federal

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

08/04/2021 17h05

A PF (Polícia Federal) de Minas Gerais afirmou hoje que algumas das pessoas que foram supostamente vacinadas de forma irregular contra a covid-19 em Belo Horizonte não têm anticorpos contra a doença. Isso indica que, caso tenham sido feitas aplicações nessas pessoas, o composto não era um imunizante, com a hipótese de ter sido soro fisiológico.

Segundo a investigação, as aplicações foram feitas por uma falsa enfermeira, que na realidade é uma cuidadora de idosos. Entre os vacinados, além de empresários da capital mineira, também estariam moradores de um condomínio de luxo, localizado no bairro de Gutierrez.

Apesar de alguns dos supostos vacinados terem apresentado exames que atestam a falta dos anticorpos, a PF afirma que ainda vai verificar a relação dos diagnósticos com a confirmação de que os indivíduos não foram vacinados contra a covid-19.

Os investigadores estimam que mais de 57 pessoas tenham recebido aplicações no esquema de vacinação irregular. A PF confirmou hoje que vai pedir exames de anticorpos para todas elas. Os resultados laboratoriais serão, então, submetidos à perícia policial para análise.

Durante as investigações da Operação Camarote, a polícia esteve em uma clínica e na casa da mulher que aplicou as doses. O filho dela também é suspeito.

No local, foram encontrados materiais como seringas, agulhas, cartões de vacinação e soro fisiológico - que pode ter sido aplicado nos empresários, amigos e familiares deles, como se fossem doses da vacina da Pfizer. A farmacêutica, procurada pelo UOL, negou a venda fora do âmbito do PNI (Programa Nacional de Imunização) brasileiro.

Relembre o caso

O caso foi noticiado pela primeira vez no site da revista Piauí. Segundo a reportagem, os donos da empresa de transporte Saritur teriam promovido a imunização em uma garagem, em BH, no fim de março. Um vídeo do momento também foi mostrado pelo UOL.

Depois, a Polícia Federal começou a investigar o caso e encontrou, no local da vacinação do grupo, uma lista com pelo menos 57 nomes. Os empresários admitiram, em depoimentos à PF, a aquisição das doses de forma ilegal. Dessa forma, outros envolvidos foram aparecendo, e ainda não se sabe a quantidade total de envolvidos.

Segundo apontam as investigações da PF, na verdade, a mulher já estaria vacinando pessoas desde o início de março, e fazia o serviço também a domicílio.

A PF segue três linhas de investigação: de que as vacinas seriam falsas, desviadas do Ministério da Saúde, ou originárias de importação irregular.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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