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Conteúdo publicado há
1 mês

Defesa diz que mãe não relatou conversa com babá por não achar pertinente

Do UOL, em São Paulo

11/04/2021 20h00

O advogado André França Barreto, que defende a mãe e o padrasto de Henry Borel, morto no início de março, disse hoje que Monique Medeiros não relatou à polícia a troca de mensagens que teve com a babá do menino por "não achar pertinente". Dr. Jairinho e Monique foram presos temporariamente pela Polícia Civil na última quinta-feira (8).

Investigadores conseguiram resgatar mensagens de texto e imagens que teriam sido apagadas dos celulares do casal, após quebra de sigilo telefônico decretado pela Justiça do Rio de Janeiro. Em uma das conversas recuperadas, ocorrida no dia 12 de fevereiro, a criança relata à babá —identificada como Thayná— que sofreu uma "banda" (rasteira) e chutes de Dr. Jairinho. A babá então conta à mãe, Monique, que o menino disse que essa não teria sido a primeira vez que sofreu agressões do padrasto. (Veja os prints abaixo)

Segundo o advogado, que esteve com Monique no presídio neste domingo, ela não relatou à polícia a troca de mensagens com a babá por não achar "pertinente".

"Hoje, eu estive no presídio e indaguei a Monique a respeito. 'Monique, tem um assunto aqui sobre mensagens. Que história é... o que são essas mensagens?' Ela me responde: 'André, nem falei nada porque nem achei que era pertinente, qualquer relação'", relatou ele, em entrevista à CNN Brasil.

Henry foi encontrado morto no apartamento onde vivia o casal, na Barra, zona oeste do Rio, com diversas lesões graves pelo corpo. A mãe do menino e o vereador, padrasto da criança, disseram à polícia que o garoto teria sofrido um acidente doméstico no dia, mas o laudo do IML (Instituto Médico Legal) aponta que o menino sofreu diversas lesões graves em diferentes partes do corpo.

Durante a entrevista, o advogado disse ainda que Dr. Jairinho não quis se "aventurar" e optou por levar o menino ao hospital, que ficaria a cinco minutos do apartamento, ao invés de prestar os primeiros socorros e tentar reanimá-lo. Ele se formou em Medicina, em 2004, mas diz nunca ter exercido a profissão.

De acordo com relatos, Monique foi quem tentou prestar os primeiros socorros do filho após o acidente, enquanto Jairinho dirigia o carro para levá-los até o hospital.

"Jairinho esclareceu que a última vez que fez reanimação foi em um boneco na faculdade. Ele diz que se sentiu mais à vontade em levar o menino ao hospital, que fica a cinco minutos de sua casa, com profissionais especializados, com aparato, estrutura, do que efetivamente se 'aventurar' no procedimento de reanimação", argumenta Barreto.

Presos temporariamente

Padrasto e mãe da vítima, o casal foi preso na casa de uma tia do político em Bangu, zona oeste do Rio. Os mandados de prisão temporária por 30 dias foram expedidos pelo 2º Tribunal do Júri. A polícia investiga o crime de homicídio duplamente qualificado —por motivo torpe e sem chances de defesa à vítima.

Para a polícia, o menino morreu em decorrência de agressões. Segundo os investigadores, Dr. Jairinho já tinha histórico de violência contra Henry. Segundo a investigação, o parlamentar se trancou no quarto para agredir a criança com chutes e pancadas na cabeça um mês antes do crime —a mãe soube das agressões, ainda de acordo com a polícia.

O casal também é suspeito de combinar versões e de ameaçar testemunhas para atrapalhar as investigações. A Polícia Civil ouviu ao menos 18 pessoas na investigação.

Defesa pede Habeas corpus

No documento, ao qual o UOL teve acesso, os advogados alegam que o padrasto e mãe do menino "se encontram submetidos a manifesto constrangimento ilegal" e afirmam que não havia necessidade de prendê-los.

No pedido, a defesa relata que até o momento não teve acesso aos autos e que por isso "tal situação, por evidente, viola o direito dos Pacientes [Jairinho e Monique] à ampla defesa, uma vez que encontram-se privados da sua liberdade".

Os advogados informaram ainda que, ao pedir à Justiça acesso aos autos, tiveram a resposta de que os documentos estavam com a Polícia Civil. Os defensores dizem ainda que, quando procuraram a polícia, seus representantes estavam "na famigerada 'coletiva de imprensa', aos holofotes da mídia, dedos em riste aos Pacientes, e, pois, violando o direito fundamental deles desconhecerem os motivos pelos quais se encontram encarcerados".