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Estudante é preso suspeito de exercer medicina ilegalmente na Bahia

Suspeito alegou que faz estágio no HTO sob supervisão do padrasto, que estava ausentado no momento da chegada dos policiais - Reprodução/ Google Maps
Suspeito alegou que faz estágio no HTO sob supervisão do padrasto, que estava ausentado no momento da chegada dos policiais Imagem: Reprodução/ Google Maps

Do UOL, em São Paulo

22/10/2021 21h25Atualizada em 25/10/2021 13h06

Um estudante de medicina de 23 anos, que não teve a identidade revelada, foi preso em flagrante na manhã de hoje suspeito de exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, em Feira de Santana (BA). Ele estaria realizando atendimentos médicos no HTO (Hospital de Traumatologia e Ortopedia) do município e receitando remédios com o registro profissional do seu padrasto, o médico Fernando Rosa da Rocha. O jovem foi abordado dentro do hospital por policiais.

"Localizamos o consultório que a pessoa estava atendendo e ela estava iniciando outro atendimento, de uma senhora. No momento, perguntamos se ele era médico e ele disse que não, disse que ele estava acompanhado de outro funcionário do hospital", afirmou o delegado Alisson Carvalho, responsável pelo caso, em entrevista ao UOL.

Quando abordado, o suspeito tinha acabado de atender quatro pacientes. As testemunhas foram conduzidas para a delegacia, ouvidas e apresentaram receitas prescritas por ele. O flagrante só foi possível devido a uma denúncia anônima feira na comissão de saúde da Câmara de Municipal de Feira de Santana, que direcionou os fatos para a delegacia de Polícia Civil.

"Durante o interrogatório ele negou que estivesse fazendo exercício ilegal da medicina. Ele disse que estava, na verdade, realizando estágio com o padrasto dele, que é médico no hospital, há aproximadamente um ano", informou o delegado. O carimbo nos receituários era do padrasto.

Faculdade em Salvador

Segundo a polícia, o suspeito está no sexto período de uma faculdade de medicina em Salvador. Ele teria afirmado aos policiais que quando eles chegaram no consultório, o padrasto dele estava dando alta para outro paciente, procedimento que leva em torno de 20 minutos, por isso a ausência. Contudo, os investigadores falaram com uma testemunha que disse ter sido atendida pelo jovem em agosto.

"Ele ressaltou que, pela faculdade dele, ele faz parte de uma liga acadêmica que presta uma forma de estágio em clínicas e hospitais", acrescenta o delegado Alisson Carvalho. Essa modalidade de estágio seria feita em Salvador.

Ao UOL, o Cremeb (Conselho Regional de Medicina da Bahia) afirmou, por meio de nota, que nenhuma denúncia foi protocolada a respeito desse caso em Feira de Santana e que essas situações são encaminhadas para a polícia e Ministério Público. "Se alguma denúncia do gênero for registrada no Cremeb, o papel do Conselho é apurar se houve conivência de algum profissional médico na atuação ilegal de um não médico".

Procurado, o Hospital de Traumatologia e Ortopedia, que informou que só vai se posicionar quando o setor jurídico da unidade de saúde autorizar.

O UOL tenta contato com a defesa do universitário para obter esclarecimentos sobre o caso, mas, até o momento, o advogado Manoel Falconery Rios Junior ainda não retornou aos contatos da reportagem. Se houver resposta, este espaço será atualizado.

Após ser interrogado, o suspeito foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) onde fez exame de corpo de delito. Em seguida, ele foi levado para a carceragem à espera da audiência de custódia e segue à disposição da Justiça. Se condenado pelos crimes, as penas variam de seis meses a cinco anos de prisão.

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