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Cotidiano

Passageiros relatam desespero e ferimentos após pane de avião da Azul em MT

Pietra Carvalho

Do UOL, em São Paulo

25/11/2021 23h02Atualizada em 26/11/2021 09h25

Passageiros do voo que sofreu uma pane durante a decolagem, na madrugada de hoje, em Várzea Grande (MT) descreveram momentos de "desespero" durante e após o desembarque de emergência das 132 pessoas a bordo, que desceram por tobogãs para a pista do Aeroporto Marechal Rondon.

A influenciadora Ana Paula Blomker, que estava no voo, com destino a Guarulhos (SP), viajaria acompanhada do marido e de dois filhos pequenos e afirmou que "nunca viu nada parecido" com as cenas que viveu no avião da companhia Azul. As causas dos problemas na aeronave ainda são investigadas.

"A gente foi decolar. O avião parou na pista, autorizou a decolagem, acelerou com tudo e freou de uma vez, eu nunca vi nada parecido. (...) As aeromoças abriram as duas portas da frente, inflaram os tobogãs - eu nem sabia que tinha tobogã - e só gritaram para a gente sair do avião", detalhou a passageira, que mora em Rondonópolis (MT).

ana paula aviao  - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Ana Paula compartilhou momentos tensos ao lado dos dois filhos pequenos e do marido
Imagem: Reprodução/Instagram

Em seguida, ela mostrou as pessoas a bordo reunidas na lateral da pista do aeroporto, enquanto o avião ainda estava parado no mesmo ponto em que decolaria, com destino a São Paulo.

"Estamos aqui na terra com as crianças, todo mundo desesperado para saber o que aconteceu. O avião está lá, com os tobogãs inflados, e a gente está aqui, todo mundo desceu correndo do avião. Nunca vi nada parecido, fomos deslocados para cá, com ambulância já, porque tem gente que se machucou", explicou Ana Paula em seu perfil no Instagram, mostrando um carro de socorro.

Ela e a família ainda tiveram que esperar cerca de 10 horas para viajar. O voo original do grupo estava previsto para 2h da manhã, mas eles embarcaram apenas 12h, em um avião da Gol.

"Foi muito desesperador, as aeromoças abriram as portas, as duas, cada uma abriu de um lado, elas viraram pra gente e começaram a gritar: 'Sai, sai, sai agora, não pega nada, só sai'. Que desespero! Agora vamos ver as cenas dos próximos capítulos", completou.

Menina de 5 anos sofreu fratura

A fisioterapeuta Juliana Fávero também embarcou no voo acompanhada do marido e dos dois filhos pequenos, de 3 e 5 anos. Ela conta que os passageiros não receberam orientações pelo sistema de som da aeronave, sendo guiados até os tobogãs pelas aeromoças.

"Eu mesma só ouvi o grito das pessoas, não houve nenhum anúncio pelos microfones", contou. "Não houve nenhuma organização, até porque, como nos foi dito, era para evacuar o mais rápido possível e assim foi feito".

Na confusão, durante a saída de emergência, a filha mais velha de Juliana acabou sofrendo uma fratura em um osso da perna. Ela só foi atendida pela manhã, quando não conseguiu andar por causa do ferimento, mas a equipe médica do aeroporto de Mato Grosso afirmou que a criança tinha "apenas uma contusão".

"Ela fraturou o terço distal da tíbia. Ela só relatou dor pra mim após já estarmos de volta ao saguão. No primeiro momento, eu achei que tivesse sido alguma batida durante o trajeto da saída, pedi se tinha alguém para ver e eles disseram que estavam aguardando o Samu, mas eu nem vi o Samu", detalhou a fisioterapeuta que, ao contrário de Ana Paula, não chegou a avistar o carro de emergência.

"Ao amanhecer, ela foi andar e caiu por conta da dor. E aí solicitei atendimento e a equipe médica do aeroporto foi até nós, e disse que se tratava apenas de uma contusão", contou. Vários dos hóspedes que tiveram que esperar até a manhã por um novo voo foram alocados em hotéis até a viagem.

Os profissionais de saúde chegaram a oferecer que a menina fosse transferida para o Pronto-socorro de Várzea Grande para mais exames, mas como estava com o outro filho pequeno, Juliana preferiu resolver a situação depois.

Apesar dos problemas, a passageira disse acreditar que a companhia fez "o certo", criticando apenas a falta de comunicação e a falta de uma equipe de emergência no local imediatamente.

"Acredito que o que fizeram no momento foi o mais certo, apesar de todo o despreparo. O que mais me chocou nem foi a falha de comunicação e resolução com a companhia aérea, e sim não terem equipe de resgate ou qualquer auxílio no aeroporto. Pois acredito que os primeiros socorros quem deveria fazer seria o aeroporto. Mas não tinham nada, nada, nada. Penso que se tivesse acontecido algo mais grave, a tragédia seria imensurável", completou.

Azul diz que está prestando apoio aos clientes

Em nota, a empresa de transporte aérea Azul informou que a aeronave teve a decolagem abortada após a identificação de uma pane.

"A Azul informa que a aeronave que realizaria o voo AD2751 (Cuiabá-Guarulhos) teve sua decolagem abortada após a identificação de uma pane na aeronave, tendo o comandante do voo realizado o procedimento padrão previsto para esse tipo de situação. Os clientes evacuaram a aeronave por meio das saídas de emergência do avião. A Azul destaca que está prestando todo o apoio necessário aos Clientes, lamenta o ocorrido e reforça que ações como essa são necessárias para garantir a segurança de suas operações".

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