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1 mês

Boate Kiss: Preocupação era 'quanto mais gente, melhor', diz irmã de vítima

Colaboração para o UOL

02/12/2021 08h50Atualizada em 02/12/2021 11h52

Vanessa Vasconcellos, ex-funcionária da boate Kiss e irmã de uma das vítimas que morreu na tragédia que chocou o país em 2013, disse ao UOL News hoje (2) que os sócios Elissandro Callegaro Spohr - conhecido por Kiko - e Mauro Londero Hoffmann sempre priorizaram o lucro, em detrimento à segurança dos clientes.

"A única preocupação dos sócios era quanto mais gente, melhor. Nunca teve preocupação em como as pessoas estavam se sentindo lá dentro. Se preocupavam em quantas pessoas estavam indo e quanto ganhavam com isso", afirmou. Vanessa integrava a equipe de comunicação da boate.

O primeiro dia de julgamento dos acusados de serem os responsáveis pelo incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), teve início ontem (1º). Seis homens e uma mulher foram escolhidos para compor o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, que vai durar cerca de 15 dias e ocorre mais de oito anos após a tragédia, que deixou 242 mortos e 636 feridos. Os jurados ficarão isolados em um hotel durante todo esse período.

Justiça sendo feita

A ex-funcionária esteve presente no tribunal e conta que, apesar da dificuldade em relembrar o ocorrido com sua irmã Letícia, defende a importância do julgamento. "Estamos há quase nove anos esperando por esse momento. Acredito que deva ter uma condenação. Eles têm que ser responsabilizados pelas atitudes. Nunca vai trazer de volta quem se foi, mas vai ser feita justiça."

Vanessa ainda revelou que a família não recebeu nenhuma indenização após a morte da irmã, que trabalhava como recepcionista na boate, nem ao menos um pedido de desculpas dos sócios do estabelecimento. "Até esse que entrou chorando. Nunca pediram desculpa, nunca deram uma palavra de apoio. Nunca se ofereceram para nada", disse.

Dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no dia da tragédia, também são réus: o músico Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Augusto Bonilha Leão.

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