PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
3 meses

"Estou sem chão", diz mãe de bebê morto à espera de transferência

 Gael Aguiar da Silva Souza faleceu à espera de um leito pediátrico de emergência - Arquivo Pessoal
Gael Aguiar da Silva Souza faleceu à espera de um leito pediátrico de emergência Imagem: Arquivo Pessoal

Daniele Dutra

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

25/01/2022 16h15

Um bebê de 1 ano e 3 meses morreu no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste do Rio, após aguardar três dias por transferência. Gael Aguiar da Silva Souza faleceu ontem (24) à espera de um leito pediátrico de emergência com especialidade em hematologia.

"Estou sem chão por ter perdido meu filho e mais ainda por ter confiado no hospital. Eles não deram o suporte que meu filho precisava" disse ao UOL a empregada doméstica Jessica Aguiar dos Santos, 27, mãe do menino.

A criança foi levada quatro vezes para o mesmo hospital municipal e em todas, os médicos deram avaliações diferentes. Primeiramente, de que se tratava de gastroenterite, depois que seria uma infecção urinária, e na terceira que poderia ser uma virose. Por último, os médicos falaram que a vítima estava com suspeita de leucemia e alteração no fígado, devido ao agravamento dos quadros anteriores.

Na última terça-feira (18) Gael precisou ficar internado e a família descobriu que ele havia positivado para a covid-19.

Jessica Aguiar dos Santos, 27, ao lado do filho Gael durante um dos atendimentos - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Jessica Aguiar dos Santos, 27, ao lado do filho Gael durante um dos atendimentos
Imagem: Arquivo Pessoal

Três dias depois, a equipe médica do Albert Schweitzer informou que Gael precisava de um leito pediátrico de emergência com especialidade em hematologia.

Como não era possível tratar o bebê na unidade de saúde de Realengo, a família procurou a Defensoria Pública e conseguiu na Justiça, no mesmo dia, a determinação para uma transferência imediata, sob pena de R$ 2 mil por hora em caso de descumprimento. Ele poderia ser levado imediatamente até mesmo para um hospital particular.

A transferência não aconteceu, e o nome de Gael só foi inserido no Sistema Estadual de Regulação no sábado (22), quando ele já estava entubado. Com um quadro de saúde delicado, seria arriscado transferi-lo. Dois dias depois, na segunda-feira (24), o bebê não resistiu e morreu.

"A médica alegou que o hospital não tinha recurso porque ele precisava de uma especialidade que ali não tinha. Ele deveria ser transferido por conta disso. Fomos orientados a entrar na justiça porque se fosse aguardar o hospital demoraria muito. Conseguimos o papel, mas eles não transferiram. O que fizeram com meu filho foi um descaso", disse Jessica.

A direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer informou, em nota, que Gael Aguiar da Silva Souza foi atendido nos dias 9, 12 e 15 de janeiro com diagnóstico de gastroenterite e infecção urinária. No dia 18, o bebê deu entrada na unidade com queixas de febre de distensão abdominal e fezes escura.

A casa de saúde observa que, após a avaliação clínica inicial e realização de exames laboratoriais, ele foi internado na emergência e transferido para o CTI Pediátrico com diagnóstico de covid-19. "As visitas anteriores não exigiram caso de internação por apresentar sintomas leves e inespecíficos", observou o hospital.

"O paciente foi assistido pela equipe multidisciplinar do CTI pediátrico e recebeu todos os cuidados necessários para o seu quadro. Gael foi inserido no Sistema Estadual de Regulação no último dia 22. A instituição ainda ressalta que a direção lamenta o falecimento do bebê e está à disposição dos familiares para quaisquer esclarecimentos", complementa a nota do hospital.

Cotidiano