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4 meses

Mãe busca filho que sumiu em ônibus submerso: Quero abraçá-lo, mesmo morto

Ônibus ficaram submersos e foram arrastados pela água em Petrópolis, na terça-feira - Reprodução
Ônibus ficaram submersos e foram arrastados pela água em Petrópolis, na terça-feira Imagem: Reprodução

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

19/02/2022 09h47

Os gritos de desespero e o barulho da água eram os únicos sons que Rafaela Braga Pereira, 30, escutava enquanto estava com seu filho de 8 anos em um dos ônibus que foi arrastado pela enchente em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Até que o pequeno Pedro Henrique Braga Gomes da Silva, aos prantos, começou a pedir desculpas a sua mãe.

"Parecia que estava sentindo que iria morrer ou que algo ruim ia acontecer. Ele pediu desculpas pelas coisas que fez. E eu respondi: 'tá bom, meu filho'", contou Rafaela ao UOL. Foi o último diálogo que teve com Pedro desde terça-feira (15), quando ele se tornou uma das pessoas desaparecidas na tragédia que atingiu a região serrana do Rio.

"Quero encontrar meu filho e me despedir dele. Eu quero abraçar ele, mesmo morto, e me despedir dele", desabafou a mãe. Os dois estavam em um dos ônibus que aparecem em um vídeo ilhados em meio à enchente. Passageiros tentaram escapar pelas janelas, outros decidiram nadar.

Rafaela, em foto com o filho: eles decidiram pegar ônibus para chegar mais rápido em casa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Rafaela, em foto com o filho: eles decidiram pegar ônibus para chegar mais rápido em casa
Imagem: Arquivo pessoal

Rafaela disse que os dois estavam indo para casa, voltando da escola de Pedro. Decidiram pegar um ônibus para chegar mais rápido, mas, no meio do trajeto, a chuva forte que caía na cidade alagou o trecho de uma via e travou a passagem do coletivo.

Em menos de 15 minutos, calcula a mãe, a enxurrada já havia invadido o ônibus. Quando a água ainda batia nas pernas, ela colocou Pedro em cima da cadeira do cobrador. Foi nesse momento que, chorando muito, o filho começou a se desculpar.

Ele estava muito nervoso e chorando muito. Estava desesperado. Eu achei que a morte ia pegar todo mundo ali. Do jeito e na altura que estava, eu achei que todo mundo fosse morrer."
Rafaela Braga Pereira, falando de seu filho

A água subiu ainda mais e Rafaela conseguiu colocar o pequeno no teto de outro ônibus, que também afundava.

"Botei meu filho em pé em cima do outro ônibus, quando a correnteza me levou. Eu quase morri porque não conseguia chegar à superfície e comecei a beber toda aquela água suja", relembrou Rafaela.

Ela foi salva por uma goiabeira, segundo conta, porque conseguiu se segurar em um galho da árvore e, depois, ser resgatada pelo segurança de um prédio que, com uma corda, puxava as pessoas do alagamento para uma área segura.

Desde que colocou o filho no teto do outro ônibus, Rafaela não tem o menor sinal de onde ele possa estar. Na tarde de ontem (19), ela conta, sua mãe foi até o IML (Instituto Médico Legal) tentar achar ao menos o corpo, mas não o encontrou.

Agora, Rafaela pede ajuda nas redes sociais para recuperar a criança. Torcedor do Vasco da Gama, Pedro só queria saber de jogar bola e é descrito pela mãe como "bem agitado". "Não sossegava, mas era um bom filho pra mim."

Ela tem esperança de reencontrar o pequeno. "Sinceramente, eu não sei o que aconteceu. Não tenho notícia nenhuma dele até agora. Quero meu filho de volta. Eu ainda tenho a esperança de encontrar meu filho, vivo ou morto", disse a mãe.

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