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Boituva: Passageiros chegaram a comemorar pouso, diz sobrevivente

Raphael Alves teve apenas ferimentos leves em acidente com avião de paraquedismo, em Boituva - Reprodução/TV Tem
Raphael Alves teve apenas ferimentos leves em acidente com avião de paraquedismo, em Boituva Imagem: Reprodução/TV Tem

Do UOL, em São Paulo

13/05/2022 10h51Atualizada em 13/05/2022 15h21

Um dos sobreviventes do acidente com um avião de paraquedismo em Boituva (SP) contou que os passageiros chegaram a comemorar o pouso de emergência bem-sucedido instantes antes de a aeronave bater contra um barranco e virar de ponta cabeça, matando duas pessoas.

Raphael Gonzalez Alves estava na parte de trás da aeronave e caiu por cima dos colegas, tendo apenas ferimentos leves na boca. Ele contou que estava logo à frente de André Warwar, um dos mortos com o impacto, e que o piloto avisou sobre problemas técnicos logo após a decolagem, preparando os passageiros.

"Logo após a decolagem nós atingimos a altura aproximada de 950 pés - isso arredondando dá uns 300 metros de altura - e os alarmes soaram, da aeronave, indicando uma pane. O piloto imediatamente avisou a todos que estávamos em uma situação crítica e que era para a gente se colocar em posição de emergência", detalhou Raphael, em entrevista à TV Tem, afiliada da Globo na região do acidente.

"Ele rapidamente observou a área, localizou esse descampado e teve muita perícia para pousar o avião. Se não fosse a perícia dele, acho que o acidente seria muito pior", afirmou o passageiro, sem poupar elogios a Frederico Catto Rezende, 36, que continua internado em um hospital particular de Sorocaba.

Segundo Raphael, de início, o pouso parecia tranquilo apesar da pane. A aeronave tocou no solo duas vezes, sem maiores problemas, antes de o trem de pouso colidir com um barranco, declarou o sobrevivente ao canal local.

"Foram três toques no solo. O primeiro foi mais brusco, a gente sentiu uma desaceleração muito forte. O segundo foi tranquilo, tanto que a gente chegou a comemorar, 'opa, deu tudo certo', todo mundo ficou aliviado. E no meio desse sentimento de alívio foi que houve essa infelicidade, o trem de pouso bateu no barranco, fazendo com o que o avião capotasse".

"O meu grupo ia ser um dos primeiros a saltar, íamos saltar de 6 mil pés e o resto do pessoal ia saltar de 12 mil, mas a gente nunca chegou lá", lamentou o homem. "O André era um colega de escola, estava sentado atrás de mim inclusive, participei bastante tentando ajudar ele a retornar, mas infelizmente perdemos ele", completou ele, sobre sua relação com as vítimas do acidente.

Além do piloto do avião, outros dois passageiros continuam internados em hospitais do interior de São Paulo. Todos a bordo da aeronave devem ser ouvidos pela investigação e os restos da aeronave serão analisados pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Em depoimento, Raphael contou que alguns dos colegas de paraquedismo usavam câmeras acopladas ao corpo no momento do acidente, que estariam funcionando e podem ter capturado a ocorrência. O delegado responsável pelo caso diz que as imagens devem ser solicitadas à empresa dona da aeronave, segundo a TV Tem.

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