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RJ: Perito morto por militares foi jogado ainda com vida em rio e se afogou

Renato Couto, perito da Polícia Civil, foi assassinado após investigar ferro velho - Reprodução/Redes Sociais
Renato Couto, perito da Polícia Civil, foi assassinado após investigar ferro velho Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Do UOL, em São Paulo

16/05/2022 19h10Atualizada em 17/05/2022 08h30

De acordo com um laudo da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o perito Renato Couto, 41, foi jogado vivo no Rio Guandu, na Baixada Fluminense, após ser baleado, em uma emboscada feita pelo dono de um ferro velho, por dois sargentos e um cabo da Marinha.

A causa da morte dele foi asfixia por afogamento, mas, ainda segundo a perícia, Renato também apresentou uma hemorragia causada pelos tiros que levou.

O corpo do papiloscopista, desaparecido desde a sexta-feira (13), foi encontrado na manhã de hoje no rio, na altura de Japeri, na Baixada Fluminense.

O crime foi confessado pelos três militares à polícia. Segundo eles, o desentendimento começou após Renato identificar que alguns materiais da sua obra teriam sido furtados e vendidos a um ferro-velho, na região da Praça da Bandeira, na zona norte do Rio.

Dois sargentos e um cabo da Marinha foram presos e confessaram crime - TV Globo/Reprodução - TV Globo/Reprodução
Dois sargentos e um cabo da Marinha foram presos e confessaram crime
Imagem: TV Globo/Reprodução

No local, ele discutiu com o dono do espaço, identificado como Lourival Ferreira Lima. O homem teria acordado com o perito que ele voltasse em outro momento para ser ressarcido. No entanto, na sexta-feira, por volta das 15h, ele foi surpreendido pelo filho de Lourival, Bruno Santos Lima, e outros dois colegas dele — Manoel Vitor Silva e Darios Fideles Mota -, todos militares da ativa da Marinha.

Ainda segundo a Polícia Civil, o perito foi agredido com um mata-leão e baleado ao menos duas vezes. Ele foi colocado ainda no veículo da Marinha e levado para o Rio Guandu, onde foi arremessado.

Crime chocante

Um amigo da vítima, que pediu para não ser identificado, acredita que o crime tenha sido premeditado.

Ele foi até lá, chegou a discutir com o dono do ferro-velho e eles chegaram a um acordo. Ficou acertado que o Renato voltaria depois, mas quando ele chegou lá, como combinado, sofreu uma emboscada.

Os quatro foram presos por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Ao UOL, o diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, delegado Antenor Lopes, afirmou que os envolvidos confessaram o crime e foram reconhecidos por testemunhas que presenciaram o fato. Segundo ele, os militares ainda lavaram duas vezes o carro — na tentativa de eliminar os resquícios de sangue.

"Trata-se de um crime bárbaro, chocante. A gente lamenta que militares das Forças Armadas tenham se envolvido nisso. Eles tentaram ainda lavar o carro após a desova do corpo. Lavaram duas vezes: uma em um lava a jato perto do local, em Austin, Nova Iguaçu [Baixada Fluminense] e outra na garagem do próprio distrito naval, onde os três serviam. Chegaram a usar cloro", afirmou o delegado Antenor Lopes

O que diz a Marinha

Procurada, a Marinha informou através de nota que "os militares envolvidos foram presos em flagrante pela polícia e responderão pelos seus atos perante a Justiça".

A instituição informou também que está colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação e que abriu um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da ocorrência. O UOL busca a defesa dos acusados. O texto será atualizado em caso de retorno.

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